Não me lembro da última vez que considerei o visitante como favorito em um jogo importante do São Paulo no Morumbi. Com excelente aproveitamento em casa, o Tricolor raramente perde diante de sua torcida. Quando está em boa fase e com um time bem organizado, é quase imbatível. Quando a fase não é das melhores, é respeitado mesmo nos jogos mais difíceis. Pode não ser sempre o grande favorito, mas raramente o adversário leva vantagem nos prognósticos.
Na noite desta quarta-feira, pelo menos na minha avaliação, a situação é diferente. Vejo o Atlético Mineiro como favorito, apesar de entrar em campo já classificado e diante de um adversário que faz a sua partida mais importante na temporada.
Não sou o único que pensa assim. O atacante Osvaldo pediu que a torcida incentive o tempo todo e deixe as vaias para o final, caso o time não se classifique para as oitavas de final da Libertadores. Não é discurso de um atleta que está confiante na conquista de seu objetivo.
O São Paulo não é carta fora do baralho e pode, sim, sair de campo aplaudido e classificado. Mas, para isso, terá que se superar. O Galo está jogando muita bola. É, com folga, o melhor time do País neste início de 2013. Mesmo sem precisar do resultado, tem interesse na vitória porque sabe que não se deve perder a chance de eliminar um tricampeão da América logo na primeira fase. Se sobreviver, o São Paulo pode ganhar confiança e embalar.
Acho difícil, porém, que isso aconteça. Além do excelente momento da turma de R10, o Tricolor está sem rumo. O ambiente no vestiário não é bom, o que ficou claro com seguidas manifestações públicas de insatisfação de alguns atletas.
Ney Franco está sob pressão e o fato de ter efetivado Ganso como titular não vai ajudá-lo em muita coisa. O astro de R$ 24 milhões não tem jogado como tal. Pouco participativo, de vez em quando dá um passe de calcanhar e parece ter a impressão que isso basta. Com Ganso em campo e um adversário competitivo do outro lado, o São Paulo já começa em desvantagem.
Outro fator que tira do Tricolor o favoritismo que costuma ter em casa é a ausência de Lucas. É difícil repor uma peça de tanta qualidade. Se o São Paulo pensou que Ganso pudesse assumir o papel desempenhado pelo craque do PSG, cometeu um terrível engano.