SESSÃO

Vereadores voltam a atacar problemas de saúde

Integrantes da situação e da oposição apontaram problemas e criticaram a gestão da saúde; secretário e prefeita foram chamados a explicar

Guto Silveira
25/04/2013 às 21:54.
Atualizado em 25/04/2022 às 18:41

Mais uma vez os problemas de saúde foram a tônica da sessão da Câmara desta quinta-feira (25). Como na última terça-feira, os vereadores criticaram a demora no atendimento e a falta de prevenção que provocou a epidemia de dengue que superlota unidades de atendimento.

Desta vez parte dos vereadores falou com base em visitas feitas às Unidades Básicas Distritais de Saúde (UBDSs) Central e da Rua Cuiabá e à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Avenida 13 de Maio. Na noite de terça e madrugada de quarta, o presidente da Câmara, Cícero Gomes da Silva (PMDB), e os vereadores Capela Novas (PPS), Maurílio Romano (PP), Rodrigo Simões (PP) e Walter Gomes, fizeram visita à unidades.

O primeiro a tecer críticas foi justamente o presidente Cícero Gomes, que assegurou que os discursos não representam fogo amigo, mas são feitos porque a situação é muito séria. “São cerca de 5 mil pessoas com dengue por falta de prevenção. Isso é crime”, disparou.

Ele ainda apontou que a UPA, “cantada em prosa e verso” pela Administração Municipal, tem um aparelho de Raio X que quebra a cada 15 dias e que na UBDS da Cuiabá tem até cadeira de rodas sem rodas. “Isso é um desrespeito. A vida foi banalizada”.

Por cerca de 90 minutos os vereadores se revezaram na tribuna para falar do assunto. Walter Gomes relatou que na Cuiabá tinha até uma enfermeira que fraturou o pé ao pisar em um buraco na própria unidade. E uma criança que estava no local havia cerca de 13 horas que havia se alimentado apenas com uma mamadeira comoveu os vereadores. “Queremos ação, gestão, prevenção”, discursou.

Assim como Cícero Gomes, Maurílio Romano citou fala do secretário da Saúde, Stênio Miranda, que afirmou pela imprensa que as críticas dos vereadores havia sido desrespeitosa, para rebater. “Desrespeitada é a população, como uma senhora que ficou mais de 8 horas esperando por regulação”, disse.

“Realmente a saúde pública está na UTI. Temos que fazer algo e esse algo é já. A população não merece isso”, manifestou-se Rodrigo Simões ao relatar o que viu nas unidades de saúde.

Líder do governo na Câmara, Capela Novas chegou a dizer que quem estava assistindo à sessão não conseguiria diferenciar a oposição da situação. Ele disse ter participado de uma Comissão Especial de Estudos em 2007 para analisar os problemas da saúde e que não viu diferença do estado daquele ano com a visita que fez.

“Na regulação vimos uma coisa que assusta. Assistimos a médica ter que decidir entre atender uma pessoa para salvar sua vida e não atender outra e ter como consequência a amputação de sua perna. Numa cidade do porte de Ribeirão Preto, não podemos assistir isso”, disse Capela.

SECRETÁRIO E PREFEITA

O secretário da Saúde foi bastante criticado pelos vereadores. Mas teve quem também dissesse que a culpa não é exclusividade dele e que não se resolve o problema trocando o secretário. Outros defenderam uma nova CEE que estude mais profundamente os problemas de saúde, notadamente a execução orçamentária da Secretaria e as terceirizações no setor.

A prefeita Dárcy Vera (PSD) foi muito criticada pela maioria dos que foram à tribuna, por ser a responsável pela nomeação de assessores. “É preciso que a prefeita venha a público dizer se concorda com tudo que os vereadores estão apontando, porque quem nomeia o secretário é a prefeita”, disse o vereador Marcos Papa.

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