O nível de insegurança da sociedade está por atingir um patamar insuportável em Campinas, com uma sucessão de crimes e atos violentos que marcam um período de medo e apreensão para a comunidade. A vulnerabilidade das pessoas atingiu um ponto em que as providências não podem mais esperar, a urgência deixou de ser questão a ser discutida, a ação deve ser mais do que imediata.
A cidade foi palco ontem (quinta-feira) de mais um assalto com uma vítima da brutalidade de bandidos. Um comerciante foi alvejado na cabeça e no peito durante assalto no Jardim Santana, em mais um ataque ditado pela bestialidade, pela inclemência, pela falta absoluta de humanidade. Por uma carteira que foi levada pelos assaltantes, uma vida corre sério perigo. Na quarta-feira, um homem de 76 anos foi morto pelo bandido que tentou roubar seu carro. A vítima foi morta na frente da família em situação absurda de risco.
Os dois casos mais recentes registrados na sequência se somam a tantos casos que vão se acumulando em Boletins de Ocorrência e são uma amostra cabal do quanto se tem de prejuízo de segurança em uma cidade como Campinas. As estatísticas, se mostram algum resultado positivo, apenas multiplicam o número de vítimas, dos mortos em situação de risco banal, dos dramas pessoais e a profunda dor que resiste depois de um crime sem explicação.
Os casos registrados recentemente remetem inevitavelmente aos tempos das terras sem lei, do bangue-bangue cinematográfico, que aparentemente tem correspondente na vida real porque reflete o estado de violência latente nas ruas, a impunidade de malfeitores, a fragilidade da aplicação da lei e da atuação das forças de segurança.
É preciso romper drasticamente o ciclo de violência que vem se instalando em Campinas. Os casos não podem ser analisados meramente como casualidade, mas como consequência de um sistema profundamente minado de ineficiência, sejam quais forem os motivos e justificativas que se possam enumerar. São necessárias ações eficazes, rápidas, que vençam a inércia do aparato oficial do governo, coloquem policiais nas ruas, se prendam os bandidos e se restabeleça a ordem. A situação é de tamanha criticidade que o muito que se fizer sempre parecerá pouco diante do iminente estado de insegurança e violência que insiste em se instalar.