Já ouvi falar, mais de uma vez, que Campinas foi a capital do futebol. Aliás, a ala dos mais experientes sempre cita esse momento histórico no qual Guarani e Ponte Preta eram tão grandes como os grandes paulistas.
Como não era nascido na época, já me mostraram uma dezena de vezes a famosa capa da revista “Placar” com a “Seleção de Campinas”, formada por jogadores do Bugre e da Macaca, no final dos anos 70, e que poderia ser repetida no início dos 80. Tenho amigos e colegas da imprensa corintianos, palmeirenses, são-paulinos e santistas, tanto de São Paulo como de outras cidades, que sabem de cor e salteado, até hoje, a escalação do Guarani na final do Brasileiro de 1978, um time que encantou a todos.
Pela minha idade, lembro pouco da final do Paulista de 1988, aquela do escorregão do Viola. Lembro menos ainda da final do Brasileirão de 1986, disputada em 1987, mas ouvi a história um milhão de vezes de que João Paulo não deveria ter chutado a gol no final da prorrogação. A defesa são-paulina, em seguida, acionou o ataque e Careca mandou a bola para as redes e o jogo para os pênaltis, quando o São Paulo levou a melhor.
É claro que tiveram os times bem montados recentemente, de boa memória para mim, como aquele de 1994, ou mesmo o do ano passado, vice-campeão paulista. Mas estou citando poucos exemplos dos bons tempos porque hoje, do Guarani, só resta falar do passado. Até o locutor José Silvério, da rádio Bandeirantes, emocionou-se no último domingo, durante a transmissão de Palmeiras e Guarani. Emocionou-se porque constatou, que pelos seus próprios planos, já sabia que dificilmente voltará a narrar um jogo do Bugre no resto de sua carreira.
Ser rebaixado constantemente virou rotina, com o perdão da redundância. Ser eliminado pelo Confiança-SE na primeira fase da Copa do Brasil virou algo normal, sem alarde. Ano que vem tem mais. Mas será que vai ter o ano que vem?
A situação do Guarani é ruim para todos, não apenas para os bugrinos. É ruim para a imprensa. É ruim para a cidade. É ruim para o Estado e por que não para o Brasil também. É ruim até para a Ponte Preta, a – por ora – eterna rival.
Um time que revelou tantos craques, que venceu tantas partidas memoráveis, que construiu sua história centenária, que deu tantas alegrias a muitos e dor de cabeça a outros tantos. Tudo ficou para trás. Hoje, o Guarani vem dando exemplos de que o fundo do poço sempre pode ser mais fundo. Hoje, o Guarani é apenas um ex-campeão brasileiro se afundando num poço sem fim.