Um hospital de Nova Iorque, no final da década de 40, em que Michael Corleone (Al Pacino), na grandiosa obra cinematográfica de Francis Ford Coppola, "O Poderoso Chefão" (Primeira Parte), salvava o pai Vito (Marlon Brando) das mãos de facções inimigas da “família”, empurrando a cama hospitalar para um quartinho anexo e não acessível.Essa era a imagem que eu fazia de um local como aquele, no tempo em que só acabara de entrar para a minha fase adulta: áreas sombrias com corredores mal iluminados, atravessados por macas de rodinhas de ruídos próprios, paredes altas, enfermarias gigantescas e assustadoras.Até então nunca havia estado — pra valer, é claro, — num hospital. Era só uma visão meio distante daquelas construções sisudas, onde uma enfermeira fazia “psiu” num quadro na parede, mas, que de vez em quando, o silêncio era cortado abruptamente por sirenes estridentes de ambulâncias que, em quadras vizinhas, se aproximavam de sua portaria.Quis o destino que viesse a conhecer — verdadeiramente — um hospital, quando precisei dele, num momento em que a minha vida estava em cima de um fio de navalha. Internado às pressas no Hospital Beneficência Portuguesa, de Campinas, em 2006, uma tomografia computadorizada revelou a gravidade do meu estado: doença diverticular mista do sigmoide , em fase aguda, ou seja, diverticulite aguda. O corpo clínico, liderado pelo experiente cirurgião dr. Vilmar, precisava agir rápido, pois, mais algumas horas, uma septicemia invadiria meu corpo e, então, nada mais se podia fazer. E agiu rápido, devolvendo-me a vida.Então, pude conhecer mesmo — de corpo presente — o que era um hospital moderno, com equipamentos de última geração, pessoal capacitado, solícito... e, especialmente, humano. Acomodações acolhedoras, práticas, com aquele cheirinho de limpeza e assepsia. Passei ali vários dias, e quando parti, levei a nítida impressão que estivera nas mãos de especialistas, de gente que faz o seu trabalho com amor e dedicação.Sete anos depois, senti a necessidade de registrar de alguma forma aquele delicado momento. Resolvi planejar uma nova ida à Beneficência, que traz consigo a tradição de 140 anos de atividades, em Campinas e no Brasil. Agora, não era mais paciente, mas um visitante, curioso por ver o local que tantas impressões me tinham deixado.A minha surpresa foi muito grande: aquele que já era, na minha visão de 2006, o máximo em modernidade e atendimento, passou a ganhar dimensões quase inenarráveis. Era um outro hospital.Percorrendo as instalações da nova Beneficência, ia sendo informado pelo meu acompanhante de suas especificações médicas e cirúrgicas: duas Unidades de Tratamento intensivo (UTIs), com capacidade total de 28 leitos; um Centro Oftalmológico, que atende toda a demanda do hospital; um novo laboratório de análises clínicas, que atende cerca de 12 mil pacientes por mês; endoscopia , com equipamento de última geração; uma unidade de Transplante de Medula Óssea, com alta complexidade para tratamento de leucemia; uma unidade de cirurgia cardíaca (credenciada pela Unimed Campinas); uma Câmara hiperbárica; uma unidade de Litotripsia, que diminui significativamente infecções; um Serviço Interdisciplinar de Atendimento Domiciliar, que atende cerca de 330 pacientes da terceira idade em suas casas; uma unidade de Cirurgia de Redução de Estômago (Bariátrica) e um Centro Clínico, com diversas especialidades médicas a cargo de profissionais renomados. Durante os onze anos da atual gestão do hospital, os investimentos em infraestrutura constituíram uma evidência no meio médico, na mídia e em toda a comunidade de Campinas.Saí dali certo que havia estado no horizonte de um novo século: modernidade, avanços dentro da cibernética, atualização com o que existe de mais avançado no mundo em tecnologia hospitalar. Essa é a Beneficência Portuguesa, hoje.Por que friso tanto essas qualidades da Beneficência? Bem, em primeiro lugar, pela razão de que ela as merece, de sobejo. Mas, por outra, também: foi onde, com a perícia, sabedoria clínica, apoiados numa estrutura médica modelar, salvaram a minha vida!