A Ponte Preta fez uma excelente largada no Brasileirão, somando quatro pontos nos confrontos com Grêmio e São Paulo. O desempenho é muito bom, principalmente se levarmos em consideração que o primeiro jogo foi em Porto Alegre e o segundo, em Campinas, foi realizado com portões fechados. Vários fatores contribuíram para esses dois bons resultados: a base do time que fez um bom Paulistão foi mantida, o lateral-esquerdo Gilson chegou do Cruzeiro e tomou conta da posição e Guto Ferreira é um ótimo treinador, entre outros. Mas nenhum fator foi tão determinante como o desempenho de Renato Cajá. Na Arena do Grêmio, o 10 da Ponte conseguiu acionar os dois atacantes de velocidade, fez um golaço de fora da área e chutou novamente no lance que resultou no gol de empate, no último segundo da partida. No Moisés Lucarelli, a performance foi semelhante. Fez um golaço de fora da área que definiu o placar, acionou os atacantes com passes inteligentes e também fez outras finalizações perigosas. O futebol brasileiro está cada vez mais carente de meias com poder de decisão. É muita bola parada, marcação, volante que arma, meia que marca e por aí vai. O camisa 10 cerebral e decisivo é quase uma figura do passado. Nesses dois jogos, Cajá foi um 10 à moda já quase antiga. É muito importante para a Ponte Preta que ele consiga manter suas atuações em um bom nível. É claro que não precisa marcar um golaço por rodada, mas enquanto for participativo e der à equipe a qualidade que possui nos passes, nas finalizações e nas cobranças de falta e escanteios, Cajá vai contribuir para outros bons resultados. No jogo de domingo, por exemplo, ficou evidente a vantagem de quem tem um 10 decisivo sobre quem tem um 10 apático. A enorme superioridade da Ponte Preta na partida não foi refletida pelo placar de 1 a 0, mas casou muito bem com o rendimento dos dois armadores. Enquanto Cajá foi um incômodo permanente para a defesa do Tricolor, Ganso foi completamente anulado pela Ponte Preta, o que, aliás, acontece em quase todas as partidas. Cajá fez gol, chutou mais, criou situações de perigo e saiu de campo como melhor jogador da partida. O lance de maior visibilidade protagonizado por Ganso foi um carrinho violento em Biro Biro, pelo qual foi punido com cartão amarelo. Em dois jogos do Brasileiro, Cajá já tem dois gols. Ganso, que se considera um jogador acima da média, tem um gol em toda a temporada de 2015.