
ig-tadeu-fernandes (AAN)
Lembra da tosse comprida, cientificamente chamada de coqueluche? Ela ainda existe e continua matando muitas criancinhas. Nas últimas décadas, o aumento nas coberturas vacinais foi responsável por uma queda dramática na incidência da coqueluche; entretanto, a doença persiste como uma das mais importantes causas de morte por doenças passíveis de prevenção por vacinas em lactentes jovens, e continua a ocorrer mesmo em países com altas coberturas vacinais. No calendário oficial da rede pública o esquema vacinal contra a coqueluche começa com uma primeira dose aos dois meses de idade; a segunda é dada aos quatro meses, e a terceira aos seis meses. Dois reforços são dados: um aos 15 meses e outro aos quatro anos de idadeA coqueluche é uma doença de distribuição global, que ocorre na forma endêmica com surtos epidêmicos que se repetem a cada 2 a 5 anos. A transmissão ocorre através do contato próximo com indivíduo infectado e as manifestações clínicas surgem entre 6 a 21 dias após a infecção, e a doença se caracteriza por apresentar diversas fases. A primeira fase chamada de catarral dura aproximadamente duas semanas, é onde ocorre a maior transmissibilidade, justamente quando os sintomas são inespecíficos, lembra um resfriado e, raramente, se suspeita da doença. A segunda fase chamada de paroxística, dura perto de seis semanas, a transmissão cai significativamente nessa fase principalmente depois do tratamento com antibióticos, por esse motivo é importante notificar os casos suspeitos, colher exames laboratoriais e iniciar o tratamento sem aguardar a confirmação diagnóstica, para interromper precocemente a cadeia de transmissão da doença. A ultima fase que dura quase quatro semanas é o período de covalescência. A maioria das hospitalizações e mortes por coqueluche é notificada em crianças menores de um ano de idade, particularmente, nos menores de seis meses. No Brasil, em 2012 foram registrados 5.121 casos notificados de coqueluche e 2.713 hospitalizações. Todas as 87 mortes por coqueluche foram registradas em menores de um ano. No Estado de São Paulo, 77% das mortes ocorreram em crianças menores de dois meses de idade, quando ainda não receberam a primeira dose da vacina. Diante desse quadro assustador o Ministério da Saúde decidiu incluir, na rede pública, a vacina contra a coqueluche para gestantes, para que elas vacinadas, transmitam intraútero os anticorpos para seus bebes, desse modo, eles nascerão com imunidade, e reforçamos a importância do aleitamento materno que manterá a transmissão de anticorpos até que a vacinação no bebe será iniciada. Com a vacina tríplice acelular (difteria, tétano e coqueluche acelular) para gestantes, o governo busca dar imunidade às crianças e reduzir a mortalidade nos primeiros meses de vida devido à coqueluche. Entretanto, estudos mostram que outras medidas seriam necessárias, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda dose de reforço da vacina contra coqueluche para os adolescentes, mas infelizmente a vacina tríplice acelular não esta disponível na rede pública, somente em serviços privados. Outra estratégia, chamada cocooning, recomenda a vacinação de todos os contatos próximos aos lactentes jovens, ampliando a proteção, tendo em vista que pais, irmãos, babás e cuidadores também são fontes de infecção para o bebê. É um passo importante a vacinação das gestantes, mas os outros devem ser dados visando ampliar a imunidade e reduzir a mortalidade pela famosa tosse comprimida ou coqueluche.