O Guarani volta a enfrentar o São Paulo hoje, quase seis anos depois do último encontro. O retrospecto indica que as chances do time campineiro no Pacaembu são mínimas. O Tricolor não perde para o Bugre desde 1997 e depois disso já se enfrentaram 25 vezes. A superioridade é inquestionável: 17 vitórias e 8 empates, com 53 gols marcados e 30 sofridos. Nesse período de 22 anos não há comparação entre as equipes. Mas é curioso notar que nas 13 partidas anteriores ao tabu o retrospecto é bem diferente. Os dois se enfrentaram 13 vezes entre novembro de 1994 e maio de 1997. Foram sete vitórias do Bugre, dois empates e quatro vitórias do Tricolor. Os campineiros marcaram 21 gols e sofreram 16. Importante destacar que o São Paulo não estava em crise e nem era um saco de pancadas. Nessas sete vitórias, o Guarani foi capaz de derrotar atletas e treinadores do nível de Cafu, Euller, Júnior Baiano, Palhinha, Telê Santana, Caio, Parreira, Valdir, Muller, Belletti, Zetti e Dodô. Por que o retrospecto mudou tanto? Por que antes era possível ser competitivo e vencer sete vezes em 13 jogos e hoje não dá para ganhar uma em 25 tentativas? A resposta não é difícil. Esse abismo técnico foi criado porque o Guarani parou no tempo. O CT do Guarani é o mesmo no qual fiz uma entrevista com o jovem Amoroso, então artilheiro do Paulista de Juniores com mais gols do que o segundo melhor ataque do campeonato. Amoroso subiu para o profissional, esteve em campo em duas daquelas sete vitórias, foi negociado, jogou no Japão, no Flamengo, na Itália, na Alemanha, na Espanha, no próprio São Paulo, voltou à Itália, vestiu as camisas de Corinthians e Grêmio, passou pela Grécia e voltou ao Brinco de Ouro para se despedir no clube que o revelou. Depois de tudo isso já se passaram mais nove anos. E o CT é o mesmo. Nesse período, o futebol passou por um intenso processo de profissionalização. Os CTs dos grandes são modernos e completos, com gramados excelentes. No departamento médico, a diferença também é gritante. O trabalho de prevenção de lesões é eficiente, a recuperação pós-jogo é melhor e o tratamento de lesões é mais rápido. Além de tudo isso, a arrecadação dos grandes aumentou de forma desproporcional. O Guarani tem muito trabalho pela frente. Precisa se modernizar em diversas áreas e buscar um modelo de gestão que seja capaz de mantê-lo nesse novo futebol. É improvável que volte a ganhar sete vezes do São Paulo em 13 jogos. Mas precisa, ao menos, ser capaz de vencer de vez em quando.