EM HOLAMBRA

Suspeito de feminicídio teria torturado a mulher com faca

Ex-companheiras revelaram um perfil psicopata, possessivo, ciumento e manipulador do agressor

Alenita Ramirez/ [email protected]
02/02/2024 às 09:05.
Atualizado em 02/02/2024 às 12:43
Sob forte comoção da família e de seus amigos, Vanessa Rocha Teixeira, de 31 anos, foi sepultada (Divulgação)

Sob forte comoção da família e de seus amigos, Vanessa Rocha Teixeira, de 31 anos, foi sepultada (Divulgação)

O ex-empresário José Roberto de Freitas Filho, de 59 anos, suspeito de matar a companheira, a auxiliar de produção Vanessa Rocha Teixeira, de 31 anos, em Holambra no dia 14 do mês passado, era caracterizado por traços possessivos, ciumentos e manipuladores. Relatos de ex-namoradas e conhecidos, que preferiram manter o anonimato por questões de segurança, descreveram o Freitas Filho como um psicopata e abusador contumaz. Além disso, apresentava uma inclinação por relacionamentos com mulheres jovens, enquanto dissimulava sobre sua verdadeira posição social. A reportagem do Correio Popular descobriu que a vítima foi submetida a um ato brutal, tendo seus pés perfurados por uma faca. A crueldade dessa tortura sugere a intenção de forçá-la a refletir sobre a escolha do caminho que seguiria ao deixar sua residência.

Freitas Filho se entregou às autoridades no último dia 27, na Mooca, São Paulo, acompanhado por um advogado, após buscar refúgio na residência de um tio em Holambra e posteriormente se deslocar para a capital paulista de ônibus, tendo obtido empréstimo de R$ 1,2 mil. Durante o período de fuga, refugiou-se por oito dias na casa de uma ex-namorada no Guarujá, alegando estar evitando a polícia devido a supostas questões relacionadas a pensão alimentícia para um de seus cinco filhos, provenientes de relacionamentos distintos, incluindo a criação de um casal de filhos com uma cidadã paraguaia.

Antes de se entregar, ele retornou a São Paulo, dirigindose à área próxima ao bairro onde residia sua mãe. Foi a intervenção da família, com o auxílio de advogados, que o persuadiu a se entregar às autoridades policiais. O delegado encarregado das investigações, Antônio Aparecido de Souza, optou por não comentar sobre as confissões do ex-empresário ou se ele demonstrava arrependimento. No entanto, a apuração da reportagem indicou que Freitas Filho atribuía a responsabilidade pela morte de Vanessa à própria vítima.

Desde o trágico acontecimento, a reportagem teve acesso a um diário, um caderno universitário pertencente a Vanessa, com diversas páginas preenchidas e manchadas de sangue. Nesse registro, a auxiliar de produção descreveu relatos íntimos que, segundo aqueles que a conheciam, seriam fictícios. O diário inclui menções a diversas traições, com detalhes explícitos e nomes de supostos "amantes". As suspeitas recaem sobre a possibilidade de que Freitas Filho tenha coagido a vítima a redigir tais declarações.

"A Vanessa era uma pessoa muito tímida, que não falava com ninguém e ficava sempre em um cantinho. Chegava a incomodar a gente, pois ela não tinha boca para nada. Ela jamais traíra alguém. Ela tinha medo de homens e não sei como ela se envolveu com este homem", disse um conhecido da jovem, cujo nome foi preservado.

Relatos familiares destacam que Vanessa era uma pessoa quieta desde a infância, reservada e apaixonada por escrever poesias, sempre carregando consigo um caderno e uma caneta. Quando confrontada ou submetida a excessivas perguntas, preferia o silêncio e, por vezes, respondia com lágrimas.

Amigos e parentes acreditam que os episódios de agressão contra a vítima iniciaramse em setembro de 2023. Desde que conheceu o ex-empresário, Vanessa foi tolhida de se comunicar com qualquer pessoa. Em outubro, ela buscou abrigo na casa de uma prima em Jaguariúna, permanecendo lá por 15 dias sem revelar os detalhes do relacionamento com Freitas Filho. Durante esse período, ela se isolava na residência da prima, assegurando a todos que estava tudo bem com seu parceiro. Sua permanência na casa cessou quando o suspeito entrou em contato com a prima, indagando sobre a localização de Vanessa. Desconhecendo as agressões físicas e psicológicas, a prima revelou a presença da vítima, sendo ela então buscada pelo suspeito e, desde aquele dia, ninguém mais a avistou.

O ex-empresário fugiu com o celular da vítima, utilizando-o para enviar partes dos manuscritos que expunham a alegada traição. Em alguns momentos anteriores ao homicídio, ele teria se passado por Vanessa por meio do aparelho. De acordo com relatos de parentes e conhecidos, Vanessa nunca respondia às mensagens direcionadas a ela. "Enviei um 'oi' no final do ano, mas só recebi a resposta após o dia 3 de janeiro. Estranhei, pois aquelas palavras jamais seriam da Vanessa.

Segundo o delegado, o exempresário não admitiu o feminicídio, sugerindo que o crime foi acidental. No entanto, Souza afirmou que as provas contra ele são "bem robustas". O suspeito foi detido temporariamente por 30 dias, mas o delegado planeja solicitar a prisão preventiva. Souza também mencionou a apreensão de fotos de diversas mulheres e do diário da vítima.

Conforme relatos de conhecidos, o ex-empresário gostava de fazer amizades, é falante e bom de conversa. Gostava de compartilhar suas conquistas e era conhecido por seus relacionamentos amorosos. Freitas Filho teria gastado sua fortuna em encontros com mulheres, geralmente mais jovens, e, segundo informações, teria agredido fisicamente a mulher paraguaia, que fugiu para seu país com medo dele.

A equipe de reportagem buscou entrar em contato com o advogado que representou o ex-empresário no momento de sua entrega, utilizando o número de telefone disponibilizado no site da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Contudo, não obteve êxito, uma vez que nenhuma chamada foi atendida.

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