ESPECIALISTAS EM FURTAR CASAS

Polícia de Campinas busca vítimas para levar à cadeia sogro e genro

Dupla é acusada de tocar o terror na região de Nova Aparecida, em Campinas e bairros de Hortolândia

Alenita Ramirez/ alenita.ramirez@rac.com.br
18/06/2022 às 09:47.
Atualizado em 18/06/2022 às 09:47

Câmera de monitoramento do vizinho flagrou os bandidos deixando o local do crime: um deles é usuário de drogas (Reprodução)

A Polícia Civil busca mais vítimas para incriminar e levar para a cadeia dois bandidos que estão tocando medo e afrontando moradores da região do Nova Aparecida, em Campinas, e bairros de Hortolândia. Além de furtar, um deles defeca nos imóveis. E o mais inusitado nessa dupla é que os criminosos são parentes: sogro e genro. 

O mais novo é usuário de entorpecentes e conta com várias passagens criminais. Como não foram pegos em flagrante e, no Código Penal, o furto é considerado crime de menor potencial ofensivo, quando não há violência, eles seguem livres nas ruas, apesar de já existir um inquérito policial em andamento.

A polícia civil de Campinas começou a registrar denúncias sobre a ação da dupla na cidade em abril deste ano. No entanto, eles já atuavam em Hortolândia desde o início do ano.

Os policiais acreditam que eles cometem os furtos há muito mais tempo, mas, como os crimes não são comunicados devido às vítimas se sentirem constrangidas pelo fato inusitado e preferem deixar para lá. 

De acordo com investigadores do 8º Distrito Policial (DP), os criminosos têm como modus operandi estudar o local antes do ataque, usar o carro de um deles, ficando um na direção e o outro partindo para a ação. 

“Eles estacionam o veículo na rua, ficam como se estivessem procurando um endereço, mas, na verdade, estão analisando o movimento de cada casa. Quando escolhem o imóvel, param em frente e o mais novo desce para praticar o furto”, contou um policial, cujo nome foi preservado.

Há registros de que em um único dia a dupla tenha cometido até duas invasões no mesmo bairro, com diferença de minutos.

No mês passado, o alvo dos criminosos foi a residência de uma idosa, que fica atrás da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), na Vila Padre Anchieta. Os moradores não estavam em casa. A invasão se deu por volta das 8h. O genro pulou o muro de 2,5m e tentou arrombar duas janelas e a porta da cozinha, mas não conseguiu, porque as janelas dispunham de grade interna e a porta era de vidro. “Percebi o furto logo que abri o portão, mas vi que havia fezes no jardim depois. Fiquei revoltado com isso, porque é uma forma do bandido afrontar, ofender o morador”, revoltou-se o filho da vítima, que chegou minutos depois que o ladrão havia deixado o imóvel. 

Também em abril, um casal que mora nos fundos da casa de um parente, teve a sua residência invadida pela dupla. O casal chegou a ver o carro dos criminosos parado na via, mas não desconfiou de nada, já que um dos ocupantes fingia buscar algum endereço. “Saí para uma festa. Passaram-se de 15 a 20 minutos quando meu primo ligou contando que talvez minha casa tinha sido furtada”, contou a vítima, que não quis ser identificada.

O primo da vítima chegou a fazer barulhos na casa para demonstrar que havia gente, mas o bandido fez ameaças. “Meu primo conseguiu sair para a rua e decorou a placa. No outro dia, pedi as imagens ao vizinho, que conta com câmeras de segurança”, relatou a vítima. Neste caso, ele defecou na lavanderia.

A vítima conseguiu imagens e entregou na delegacia. “Sinto-me frustrado, pois moro aqui desde quando nasci e nunca aconteceu isso. Acho que deve ser pelo efeito das drogas que o meliante deve ter usado”, revelou, referindo-se ao fato de o bandido ter também defecado no imóvel.

Em fevereiro deste ano, os dois suspeitos foram detidos por policiais civis de Hortolândia posteriormente ao esclarecimento de um furto praticado por eles. 

Em depoimentos à polícia, o genro confessou o crime e relatou que o sogro o levava de carro aos locais, já que era habilitado a dirigir. Ainda conforme depoimentos do suspeito, os imóveis eram escolhidos conforme o mesmo apresentasse a maior facilidade para ser invadido. 

O suspeito alegou ainda que é usuário de drogas, já foi preso e tem três filhos entre 2 anos e 14 anos. Também explicou que repassa dinheiro ao sogro, que o leva para cometer os delitos. O sogro, de 68 anos, por sua vez, negou que peça a ajuda ao genro nas ações e confirmou que costuma emprestar o carro para ele fazer compras.

Adrenalina pode mexer com os intestinos

Imagens apreendidas pela polícia mostram quando o carro usado pela dupla de criminosos para na via. Um homem fica no volante e outro, forte e alto, desce e logo volta. “Temos diversos registros sobre furtos em residências na nossa área, mas as vítimas relatam apenas o furto e não o fato de o criminoso defecar no imóvel. Esse detalhe é importante e nos ajuda a esclarecer os crimes", explicou o investigador. 

Para o especialista em Segurança Pública, Ruyrillo Pedro De Magalhães, o fato de o criminoso defecar nos imóveis não é uma ação proposital e sim uma reação nervosa do criminoso. “Cada um reage de uma forma quando pratica uma ação que envolve muita adrenalina e ansiedade, pois mexe com o sistema nervoso. No meio policial, era comum dizer ‘cagou de medo’”, comentou o advogado e especialista. 

Segundo Magalhães, todo detalhe constatado pela vítima deve ser relatado à autoridade policial. “A falta de registro de crimes por parte de vítimas camufla a insegurança de uma localidade e acaba não entrando na estatística criminal. Sem o registro, fica difícil saber se houve aumento ou não do crime. Registrar é essencial a o direcionamento do policiamento ostensivo e para as investigações”, frisou.

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