TRÁFICO

PF desarticula quadrilha que enviava droga para o exterior

Grupo criminoso usava remessas expressas para mandar cocaína pura para Europa e Oriente Médio

Alenita Ramirez/[email protected]
03/04/2025 às 15:40.
Atualizado em 03/04/2025 às 15:40
A quadrilha é composta por ao menos 11 integrantes e montou um esquema criminoso sofisticado (Divulgação PF Campinas)

A quadrilha é composta por ao menos 11 integrantes e montou um esquema criminoso sofisticado (Divulgação PF Campinas)

A Polícia Federal (PF) de Campinas desarticulou um grupo criminoso que usava de remessas expressas para enviar cocaína pura para a Europa e Oriente Médio. Além do comércio ilícito para o estrangeiro, o grupo também batizava a pasta base com produtos químicos para venda no mercado interno. 

Para enviar a droga para fora do Brasil e burlar a fiscalização aduaneira, os traficantes usavam garrafas térmicas, roupas e sapatinhos de crianças, entre outros objetos, para esconder a carga. A PF ainda não sabe quanto o grupo movimentou com este tipo de tráfico, mas o que se descobriu é que em três meses do ano passado o grupo realizou ao menos 16 postagens. Em média, eles chegavam a enviar um quilo do entorpecente por remessa. A quadrilha é composta por ao menos 11 integrantes e montou um esquema criminoso sofisticado. 

A identificação do grupo criminoso aconteceu após a prisão do líder, em setembro do ano passado, quando ele enviava uma remessa de pasta base de cocaína para a cidade de Lana D'Adige, no Norte da Itália. Na ocasião, o suspeito foi detido por policiais do 1º Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar (Baep) em uma gráfica localizada na região central de Campinas. Com a descoberta da droga camuflada em garrafas térmicas de um time de futebol paulista, o suspeito levou os agentes até uma casa na Vila Aeroporto, onde foi descoberta uma refinaria de drogas.

Com a prisão do líder e de outro homem, que também é integrante do grupo, os agentes federais tiveram acesso aos dispositivos eletrônicos e as anotações em folhas de caderno do esquema de tráfico internacional, levando aos policiais federais a identificar todos os outros integrantes. "A partir da prisão do líder começamos a identificar uma associação criminosa altamente sofisticada, elaborada, tanto no refino da droga e de diversas drogas, quanto na logística de recebimento dessa droga da Bolívia e Colômbia, a manutenção do laboratório aqui na cidade de Campinas e a distribuição para diversos países da Europa e Ásia", explicou o delegado-chefe da PF, Edson Geraldo de Souza. 

Segundo Souza, os policiais federais também fizeram uma análise do conjunto financeiro e bancário dessa associação e constataram não só uma capacidade de armazenamento de drogas, mas também uma capacidade financeira de manuseio de dinheiro, que disfarçava sua origem e destino. Um ponto que chamou a atenção dos agentes, de acordo com o delegado, foi a organização financeira do grupo, pois eles constituíam MEIs (Microempreendedores Individuais) para disfarçar a origem do lucro obtido com o tráfico e também usavam PIX em nomes de diversas pessoas para diluir o dinheiro obtido com o comércio ilegal. "Eles calculavam exatamente quanto de cada coisa viria a produzir o lucro específico que eles esperavam. O lucro é altíssimo", disse o delegado chefe da PF. 

De acordo com Souza, a investigação apontou que a associação criminosa tinha estabilidade, pois usava de linguagem cifrada com fluência para se comunicar entre si. Ou seja, independentemente do integrante, todos sabiam exatamente o que o outro falava, usando-se de expressões ou códigos para indicar o que estavam comercializando ou enviando. "Eles chamavam de peruana, uma cocaína de baixa qualidade. De exportação, a cocaína de alta. Mamadeiras para se referir garrafas", comentou o delegado. 

A operação contra o grupo, deflagrada ontem, foi denominada "White Coffee", inclusive por conta dessa linguagem cifrada usada pelos integrantes. Os termos constavam em anotações apreendidas em setembro do ano passado pelos agentes. 

Os policiais federais constataram que o grupo já havia enviado drogas para Portugal, Inglaterra, Alemanha, Dinamarca e Dubai. O envio era feito por meio de postagens em nome de empresas de fachada. A remessa era registrada em estabelecimentos credenciados, que encaminham a demanda por meio de companhias de logística que realizam esse tipo de trabalho regularmente ao redor do mundo. 

Ao todo, foram cumpridos cinco dos oito mandados de prisão preventiva, sendo dois contra o líder e o comparsa dele que estão presos desde o ano passado. Três investigados continuam foragidos. Entre os presos ontem conta a mulher do líder. Todos os mandados de prisão de 11 de buscas foram expedidos pela 9ª Vara da Justiça Federal, e cumpridos em Campinas, Santo Antônio de Posse e Capital Paulista. "O funcionamento da associação criminosa foi desfalcada com a prisão do líder, que também nos permitiu, a partir do dispositivo eletrônico dele, descobrir a situação que ele tinha em conhecer a organização criminosa", destacou o delegado.

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