CRIME CONTRA A ALFÂNDEGA

Operação anticorrupção da PF na Receita Federal faz busca e apreensão em Campinas e região

Foram apreendidos, entre outros valores, R$ 515 mil em dinheiro e 15 relógios de luxo

Bargas Filho/[email protected]
03/06/2026 às 17:02.
Atualizado em 03/06/2026 às 17:02
Parte das apreensões ocorreu em um escritório localizado em um prédio comercial no bairro Cambuí, em Campinas; Justiça decretou bloqueio de 25 imóveis, 19 veículos e 65 contas bancárias (Polícia Federal)

Parte das apreensões ocorreu em um escritório localizado em um prédio comercial no bairro Cambuí, em Campinas; Justiça decretou bloqueio de 25 imóveis, 19 veículos e 65 contas bancárias (Polícia Federal)

O principal alvo da operação voltada à prática de crimes de corrupção que favoreciam empresários com processos na alfândega, associação criminosa e lavagem de dinheiro, realizada ontem (2) pela Polícia Federal (PF) em 24 endereços nos estados de São Paulo e Santa Catarina, mora em Campinas e foi afastado de suas funções na Receita Federal. Foram apreendidos R$ 515 mil em dinheiro vivo, também moeda estrangeira e 15 relógios de luxo. Parte das apreensões ocorreu em um escritório localizado em um prédio comercial no bairro Cambuí, em Campinas. A Justiça decretou o bloqueio de 25 imóveis, 19 veículos e 65 contas bancárias. 

A operação, batizada de Benaia, cumpriu mandados de busca e apreensão em 12 endereços em quatro cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC): Campinas (oito locais), Paulínia (dois), um em Valinhos e um em Hortolândia. “Os policiais identificaram que o investigado, à época em que foi chefe da Receita Federal em Itajaí, possuía poder para facilitar processos devido ao cargo que exercia. Ele teria recebido, de forma indevida, ao menos R$ 2 milhões para agir em favor de empresários nos processos alfandegários. O servidor também é suspeito de tentar criar mecanismos de logística a pedido deles”, explicou o delegado Christian Luz Barth, da PF. 

“Ele residia em um imóvel que tinha um alto padrão, com um aluguel de R$ 14 mil, que era pago pelos empresários. Havia também pagamento de despesas de cartão de crédito, despesas pessoais”, informou o policial que coordenou a operação. Segundo as investigações, o esquema pode ter causado prejuízo superior a R$ 10 milhões aos cofres públicos. 

Além do dinheiro e relógios, os federais apreenderam também documentos, notebooks, HDs e celulares. O servidor tem contas no exterior e teria usado empresas registradas em nome de seus familiares para maquiar os valores recebidos ilegalmente. 

“Todo esse material vai passar por perícia técnica”, informou Barth. “A partir da análise dos materiais apreendidos nas buscas, a Polícia Federal pretende identificar novos elementos probatórios, outros possíveis envolvidos e eventuais crimes adicionais”, disse. 

As investigações apontam que despachantes, consultorias, empresas importadoras e operadores logísticos poderiam fazer parte do esquema, que teria resultado em vantagens recebidas, direta ou indiretamente, pelo servidor. Os valores teriam sido repassados por meio de pagamentos em dinheiro, depósitos e pagamento de despesas pessoais, como aluguéis, faturas de cartão e aquisição de bens. 

De acordo com a Receita, a participação destes agentes resulta no comprometimento do trabalho de fiscalização aduaneira e desmonta os controles sobre cargas, além de promover a concorrência desleal, atingindo empresas que atuam na legalidade.

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