VIOLÊNCIA SEM FIM

Matou a mulher e limpou cena do crime com água sanitária

Irmã de um vereador de Vinhedo foi assassinada pelo marido, que ainda tentou despistar a polícia

Alenita Ramirez/ [email protected]
06/02/2024 às 09:07.
Atualizado em 06/02/2024 às 09:07
Agentes da Polícia Civil de Itupeva confirmaram a tentativa do assassino de apagar as pistas do crime (Divulgação)

Agentes da Polícia Civil de Itupeva confirmaram a tentativa do assassino de apagar as pistas do crime (Divulgação)

Mais um trágico caso de feminicídio veio à tona na macrorregião de Campinas, onde o assassino, na tentativa de evitar ser identificado pela polícia, procedeu à limpeza do local do crime. Em Itupeva, município situado a 38 quilômetros de Campinas, uma mulher de 51 anos, dona de casa e irmã de um vereador de Vinhedo, foi brutalmente assassinada pelo próprio marido, um jardineiro de 41 anos, durante a madrugada de domingo. Francisco Marcio de Souza Almeida, o agressor, tentou encobrir o crime ao limpar a cena antes de solicitar ajuda para a vítima, alegando que esta havia sofrido uma queda. O histórico de conflitos conjugais entre o casal é evidente, e Almeida foi detido em flagrante por feminicídio. Esse episódio lembra o trágico destino de outra mulher, uma auxiliar de produção, que foi submetida a torturas por quase um mês antes de ser assassinada pelo companheiro, que, da mesma forma, tentou apagar os vestígios de sangue na residência para confundir as autoridades policiais.

A vítima, Roseni Moreira Fernandes, era irmã do vereador Pastor Léo Fernandes. Ao procurar o parlamentar para comentar o caso, a reportagem encontrou sua assessoria, que informou que ele estava descansando após participar do velório e enterro da irmã.

Conforme registrado no boletim de ocorrência, a Polícia Militar (PM) foi acionada por funcionários do Hospital Nossa Senhora Aparecida, que observaram lesões graves na cabeça da vítima. Almeida, o agressor, havia relatado aos médicos que o casal consumira bebida alcoólica na noite de sábado, deitando-se em seguida. Contudo, tempos depois, a vítima se levantou, preparou uma refeição, dirigiu-se ao banheiro e, ao retornar, alegadamente tropeçou, resultando em uma queda que a deixou desacordada.

O jardineiro alegou que o incidente ocorreu quando ele foi à cozinha buscar uma cerveja. Ao deparar-se com a mulher caída, afirmou tê-la conduzido ao banheiro na esperança de reanimá-la durante um banho, mas, infelizmente, ela não recobrou a consciência. Nesse momento, dirigiu-se ao quarto do filho de 8 anos, que já dormia, solicitando auxílio.

O menino, por sua vez, procurou o irmão de 23 anos, que não estava em casa. Ao retornar, foi impedido de prestar socorro à mãe pelo próprio jardineiro. Diante da situação, o filho mais velho acionou os serviços de resgate, que, ao chegar rapidamente, transportaram Roseni para o hospital, mas, ela já se encontrava sem vida.

Segundo informações da polícia, o suspeito só buscou a ajuda do filho aproximadamente três horas após o suposto acidente, por volta das 2h30 de domingo.

Policiais civis realizaram uma diligência na residência do casal, não detectando indícios de sangue. Durante a conversa com o filho da vítima, o qual relatou que o jardineiro utilizou cloro para higienizar o banheiro, as suspeitas se intensificaram. O jovem também revelou que testemunhou uma discussão entre o casal, resultando na mulher desacordada após o confronto.

Ao ser questionado, o jardineiro optou pelo silêncio, declarando que somente se pronunciaria perante o juiz. O caso foi formalmente registrado como feminicídio, culminando na condução do homem ao Centro de Triagem de Campo Limpo Paulista. O corpo da vítima foi sepultado no Cemitério Municipal de Vinhedo no dia anterior.

HOLAMBRA

Em 14 de janeiro, a trágica descoberta do corpo da auxiliar de produção Vanessa Rocha Teixeira, de 31 anos, chocou a comunidade. Seu corpo foi encontrado em um colchão de solteiro na sala da residência que compartilhava com o ex-empresário José Roberto de Freitas Filho, de 59 anos, em Holambra. Vanessa exibia evidentes marcas de facadas, e, no dia do ocorrido, o suspeito alegou a uma amiga que a jovem havia sofrido uma queda no banheiro. Após o crime, ele fugiu, entregando-se oito dias mais tarde em São Paulo, negando qualquer envolvimento. No entanto, a Polícia Civil, mediante a coleta de evidências, conseguiu reunir elementos que apontam sua autoria no crime.

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