Comandante do batalhão recebeu na última semana 22 simuladores de pele para treinamento de sutura; kits ajudam policiais no preparo para lidar com ferimentos em situações de emergência

Policial simula ser vítima, vestindo um material de silicone que imita um ferimento; essa simulação garante que, em uma eventual ocorrência real, o Atendimento Pré-Hospitalar seja o mais adequado possível (Divulgação BAEP)
O 10˚ Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar (Baep) de Piracicaba quer se tornar uma espécie de “Polo Doutrinário”, do Comando de Policiamento do Interior 9 (CPI), para a capacitação de policiais militares, civis e federais, guardas municipais, agentes do judiciário e até mesmo da sociedade civil no Atendimento Pré-Hospitalar (APH) em ambiente de contato.
Para conquistar o posto, o comando já habilitou três policiais como multiplicadores. Além disso, o batalhão vem conquistando, graças a uma parceria com a Justiça e Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), os equipamentos e materiais usados em aulas práticas.
Na última semana, o comandante do batalhão, tenente-coronel da PM José Antônio Golin Júnior recebeu do promotor de Justiça, Gustavo Zampronho, 22 simuladores de pele para treinamento de sutura. A ferramenta aproxima o aluno à realidade, já que o simulador é feito à base de silicone, imita a pele humana e emite sangue. “O simulador é uma adição aos 34 kits completos de APH Tático que o batalhão recebeu da Justiça no ano passado”, contou o comandante do BAEP.
Os simuladores de ferimentos permitem o acoplamento a um instrutor, ejeção de sangue artificial e podem proporcionar momentos de extrema tensão e de picos de stress com maior proximidade possível à realidade, deixando os policiais prontos para o pior cenário, caso ocorra.
O 10º Baep foi implantado em Piracicaba em dezembro de 2019 e no dia 16 de abril de 2021 o batalhão realizou o primeiro treinamento de APH Tático de forma rústica, uma vez que não haviam equipamentos. Naquela época, tanto os professores como os alunos tinham que ser criativos nas aulas simuladas para solucionar uma situação de ferimento com muito sangramento. “No começo não tínhamos nada de equipamentos e tínhamos que usar a imaginação para chegar o mais perto da realidade. Com os simuladores é outra situação. O policial que simula ser vítima veste a pele e fica gritando de dor. O simulador de pele emite sangue e o socorrista chega e se depara com a situação que é equiparada à realidade”, descreveu o Coronel.
Neste primeiro treinamento de 2021 realizado no BAEP em conjunto com equipes do 36º Batalhão de Policiamento Militar do Interior (BPM/I), da região de Limeira, os instrutores, sem a formação completa, atenderam cerca de 300 policiais.
Ainda em 2021, o comando enviou à cidade de São Paulo um policial militar para ser capacitado na área. O primeiro operador, Sargento PM Polegate, foi capacitado em APH Tático no Batalhão de Operações Especiais como multiplicador de conteúdo. Nos anos de 2022 e 2023 mais dois operadores se tornaram multiplicadores junto ao Batalhão.
O APH-Tático foi normatizado no Brasil em 4 de julho de 2022, com a publicação da portaria Nº 98, do Ministério da Justiça, que criou a Diretriz Nacional de Atendimento Pré Hospitalar Tático para profissionais de segurança pública.
Com a criação da Diretriz, em 2022 o comando enviou mais dois operadores para serem capacitados no Batalhão de Operações Especiais. Segundo o Coronel Golini, os operadores do Baep receberam treinamento especializado no protocolo MARCH1 (protocolo de atendimento médico), com certificação regulada pelo Ministério da Justiça. “Esse treinamento é focado em técnicas de atendimento médico em situações de alta intensidade e risco, preparando os policiais para prestarem os primeiros socorros de maneira eficaz e segura tanto para si mesmos quanto para civis envolvidos em possíveis incidentes”, frisou.
Menos de 20 dias depois, o Tribunal de Justiça (TJ) local entregou ao batalhão os kits completos de APH Tático. O material, avaliado em R$ 50 mil, foi comprado com multa aplicada pelo TJ a investigados em processos criminais.
Na vida real, o APH é aplicado em situações em que policiais ou civis se ferem durante um confronto com criminosos, acidentes ou até mesmo em tentativas de suicídios.
No começo de abril deste ano, equipes do 10º Baep patrulhavam pelo bairro Mário Dedini, em Piracicaba, quando ouviram disparos de arma de fogo. Os policiais foram até uma barbearia onde um rapaz, após uma desilusão amorosa, tentou tirar a própria vida após invadir o local armado e se ferir com a arma de fogo. Não fosse a intervenção rápida dos operadores, a vítima não teria sobrevivido. “O Baep está nas ocorrências mais graves e precisa estar preparado”, explicou Golini.
De acordo com o Comandante, os policiais não hesitaram em empregar todas as suas habilidades e conhecimentos para garantir o melhor atendimento à vítima. Através do emprego do APH-Tático, os policiais utilizaram técnicas avançadas, incluindo a aplicação de selo de tórax valvulado e o uso de manta térmica aluminizada, para manter a estabilidade do quadro clínico da pessoa que estava em perigo. “A rápida e precisa intervenção foi crucial para estabilizar a situação e proporcionar o suporte necessário até a chegada da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel do Corpo de Bombeiros, e a vida do homem foi salva”, destacou.
Os 22 simuladores foram entregues na última quinta-feira pelo MP, também com verba oriunda de acordo de não persecução penal. Neste caso, um investigado confessou o crime e pagou uma multa de R$ 20 mil, cuja verba foi destinada a compra das ferramentas.
De acordo com o Coronel, os simuladores de ferimentos foram confeccionados de forma artesanal por uma empresa. A fabricação em silicone tem o intuito de simular com a máxima precisão possível ferimentos graves com agentes cortantes em membros periféricos, áreas juncionais, e ferimentos por arma de fogo onde haja necessidade de emprego de torniquetes, ou selo de tórax, preenchimento com agentes hemostáticos e uso de cânula nasofaríngea, entre outros.
O 10˚Baep atua em 52 municípios da região do CPI-9. Em nota, o promotor de Justiça Gustavo Zampronho disse que a “integração entre os agentes de persecução penal sempre traz resultados positivos”. A iniciativa do promotor em destinar a verba ao Baep aconteceu depois que ele participou de um treinamento de APH Tático no batalhão em 2022 com médicos, policiais federais, policiais rodoviários e outros. Ele tomou conhecimento da importância do tema e da capacidade dos agentes para ministrar a instrução. Neste treinamento, como os agentes não tinham os simuladores, foi necessário fazer empréstimos. “Temos certeza de que os simuladores serão usados pelos melhores profissionais para capacitar ainda mais os operadores policiais, membros do Ministério Público e quem mais se interessar. É uma satisfação", finalizou o promotor do GAECO.
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