PLANEJAMENTO

Plano de Metas prevê linhas do BRT nos Amarais e DICs

Obra é um dos 55 objetivos listados em documento elaborado pela Prefeiura

Edimarcio A. Monteiro/[email protected]
04/04/2025 às 10:17.
Atualizado em 04/04/2025 às 11:49
O projeto do BRT teve início em 2014 e já está em operação nos corredores Campo Grande e Ouro Verde (Rodrigo Zanotto)

O projeto do BRT teve início em 2014 e já está em operação nos corredores Campo Grande e Ouro Verde (Rodrigo Zanotto)

A Prefeitura de Campinas pretende ampliar os corredores do BRT para as regiões dos Amarais e DICs. A obra é um dos 55 objetivos previstos no Programa de Metas 2025-2028 lançado pela administração e disponível para consulta na página da Secretaria de Gestão e Controle na internet. O documento, que é uma exigência legal, definiu os compromissos da administração nos próximos quatro anos e serve como base para a elaboração do Plano Plurianual (PPA).

"O Programa de Metas é um fio condutor, definindo as direções das políticas públicas que a administração deve seguir e os resultados e objetivos finais que ela pretende atingir. É o instrumento de planejamento para desenvolver o PPA", explicou o secretário municipal de Gestão e Controle, Alberto Alves da Fonseca, o professor Alberto. O novo documento tem cinco eixos estratégicos orientativos para Campinas, que são torná-la cidade mais acolhedora, inteligente, sustentável, criativa e preparada para o futuro. O programa leva em conta os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas e está atento às diretrizes do Plano Diretor, que é o instrumento básico da política de desenvolvimento e da expansão urbana.

O novo documento traz a implantação da segunda fase do BRT, um modal de transporte com corredores exclusivos para circulação dos ônibus, com a proposta de torna as linhas mais rápidas e eficientes. Ela deverá ser implantada nas regiões Norte (Amarais) e Sudoeste de Campinas (DICs). O projeto teve início em 2014 com a primeira assinatura de convênio entre a prefeitura e a Caixa Econômica Federal, com a total operação do Corredor Ouro Verde prevista para ser concluída este mês, com a entrega do Terminal BRT Ouro Verde. Os corredores Campo Grande e Perimetral já estão 100% operacionais.

USUÁRIOS

O corredor expresso de transporte coletivo deveria ter sido concluído em 2020, mas sofreu vários atrasos. Para os usuários, o modal trouxe benefícios, mas precisa ser aprimorado. "O serviço é muito mais rápido do que o outro, mas faltam ônibus nas linhas", reclamou a vigilante Ana Paula de Castro. Usuária da linha 12, que atende aos terminais Campos Elíseos, Mercado e Central, ela apontou que oferta de coletivos é pequena em relação a outras. "Passam quatro, cinco ônibus das linhas 10 e 11 para passar um da 12. Á noite, saio às 10 horas e ele somente vai passar às 10h40", afirmou Ana Paula, moradora no bairro Cidade Jardim.

Para o porteiro Gabriel José, mesmo a linha 10 é lenta nos horários de pico. "Tem muitas paradas e anda lotado", disse. De acordo com ele, a viagem do Centro até o Ouro Verde, onde reside, chegar a levar 35 minutos, contra 20 minutos em outros períodos. Já o ajudante geral Milton Alves de Almeida criticou a falta de segurança em pontos de ônibus que integram o BRT no Bonfim. "Eles são usados para vender drogas à noite. Se tirassem essa estrutura coberta, esse pessoal iria para outro lugar", argumentou.

Não há prazo previsto para ampliação para as regiões Norte e Sudoeste do corredor expresso, que hoje atende três corredores (Campo Grande, Ouro Verde e Perimetral), com 36,6 quilômetros de extensão e passa por avenidas de grande fluxo, como Amoreiras, Ruy Rodriguez e John Boyd Dunlop. "Os detalhes do que será construído é definido pelo Plano Plurianual. Isso vai depender da arrecadação, de uma série de fatores, se a economia vai melhorar ou não. Se você não tem recursos, como que você vai implementar o que você está propondo?", argumentou professor Alberto.

AVALIAÇÃO

Na opinião da arquiteta, urbanista e gestora de projetos Fernanda Bevilacqua, o Programa de Metas lançado é muito genérico e não traz objetivos para reduzir as diferenças de estrutura entre as regiões do município. "Ao diminuir a desigualdade territorial podemos melhorar a qualidade de vida da cidade, e isso não está evidente no Programa de Metas", criticou. Para o secretário de Gestão e Controle, esse detalhamento cabe ao Plano Diretor, com a execução ficando a cargo do PPA. "Isso depende do orçamento de cada ano. Nós temos as metas e as linhas principais, a estrutura primária, mas o que vai ser feito depende do Plano Plurianual", afirmou.

O novo programa resgatou como uma das metas na área de esporte a construção do Centro Olímpico de Skate, projeto lançado em 2021, no início do primeiro mandato do prefeito reeleito Dário Saadi (Republicanos). Na época, a obra foi orçada em R$ 8 milhões e deveria ter ser concluída no segundo semestre de 2022. A área para skate, que começou a ser construída, fica dentro do Centro Esportivo de Alto Rendimento (Cear), no Swiss Park, e deveria contar com cerca de 3.100 metros quadrados (m2), pistas de street e park, um half pipe (vertical), estrutura para as atividades administrativas e multidisciplinares, como academia, vestiários, fisioterapia, centro de convivência e alojamentos.

Porém, as obras encontramse paradas, apesar da promessa da prefeitura de conclusão este ano. "Ainda continua sendo um objetivo a ser alcançado. Ele está aqui, está desenhado", disse o professor Alberto, referindo-se ao Programa de Metas. O documento também apontou como meta a realização da concessão do serviço de limpeza urbana através de uma Parceria Público-Privada (PPP). O contrato de concessão de varrição, coleta e transbordo do lixo em Campinas vencerá este mês e deverá ser prorrogado até a realização de uma nova licitação pública. O atual acordo com o consórcio Campi Ambiental, composto pelas empresas M.B. Engenharia e Meio Ambiente Ltda., Trail Infraestrutura Eireli e Severo Villares Projetos e Construções S.A., no valor de aproximadamente R$ 220,8 milhões, foi assinado em setembro de 2022.

O novo Programa de Metas trouxe também obras já previstas. Na área de água e saneamento, incluiu "estabelecer novo manancial de captação de água". No ano passado, a Sociedade de Abastecimento e Saneamento S.A. (Sanasa) anunciou planos para passar a captar água também no Rio Jaguari. Para isso, aguarda a conclusão das represas de Pedreira e Amparo, obras do governo do Estado programadas para serem concluídas no final do próximo ano. A Sanasa prevê investir aproximadamente R$ 750 milhões para captar 2 mil litros de água por segundo (2 mil l/s ou 2m³/s) no Jaguari. O projeto prevê a construção de uma adutora de 7 quilômetros de extensão, estação de elevação e de uma nova Estação de Tratamento de Água, a ETA 5, no bairro Gargantilha. Atualmente, Campinas capta 99% da água no Rio Atibaia, e o restante no Capivari.

Na área de segurança, o novo Programa de Metas trouxe a construção de um novo Centro de Formação da Academia da Guarda Municipal, equipar as viaturas com câmeras inteligentes e modernizar e ampliar o Programa Monitora Campinas. O documento incluiu ainda a construção de novas escolas de ensino fundamental em período integral, de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Centros de Especialidade Odontológica, ampliar a regularização fundiária, finalizar as obras do Centro de Convivência, aumentar os canais digitais de comunicação com a população e aprimorar o uso da inteligência artificial.

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