NOVA ONDA DA COVID-19

Afastamentos de profissionais acende alerta na saúde pública de Campinas

Conselho divulgou boletim amostral sobre a situação das contaminações em servidores

Ronnie Romanini/ [email protected]
14/06/2022 às 09:06.
Atualizado em 14/06/2022 às 09:06
Movimento em frente ao Centro de Saúde São Quirino: números de afastamentos de servidores acompanham a tendência de crescimento dos casos da covid-19 nas últimas semanas (Diogo Zacarias)

Movimento em frente ao Centro de Saúde São Quirino: números de afastamentos de servidores acompanham a tendência de crescimento dos casos da covid-19 nas últimas semanas (Diogo Zacarias)

O Conselho Municipal de Saúde (CMS) divulgou um boletim que analisa a nova onda da covid-19 e os afastamentos de profissionais da saúde por contaminações. O órgão coletou informações sobre afastamentos e resultado dos testes para a detecção da doença junto aos profissionais, o que não abrange o cenário como um todo, mas serve como um indicativo de como está a pandemia no município.

O CMS apurou que, do dia 9 de maio ao 9 de junho, 103 profissionais de Centros de Saúde de Campinas e outros três de serviços de saúde mental foram afastados por suspeita de covid-19. Das 106 suspeitas, 83 foram confirmadas, o equivalente a 78,3% de positividade. Mais 17 pessoas aguardavam o resultado do exame, o que pode elevar ainda mais a taxa de diagnósticos entre as suspeitas. Seis testes obtiveram resultado negativo.

O CS São Quirino foi o mais afetado, de acordo com o levantamento do Conselho, com 30 funcionários afastados no período de um mês, o equivalente a 28,3%. A Secretaria de Saúde contestou a informação e afirmou que os afastamentos não acontecem ao mesmo tempo.

Entretanto, a Pasta divulgou o número de servidores da Saúde afastados no dia 8 de junho, 293, número que representa 7,09% do quadro de servidores da área. No mesmo dia 8, a Rede Mário Gatti de Urgência, Emergência e Hospitalar estava com 107 servidores afastados, 9,84% do seu quadro de profissionais, com o total de 1.087. 

Esses números acompanham a tendência de crescimento dos casos, algo já observado nas últimas semanas. No período de 29 de maio a 4 de junho, o SUS Municipal realizou 12.522 atendimentos de pessoas com síndromes respiratórias. Na comparação com a primeira semana de maio, a alta foi de 129,8%. 

A média diária de atendimentos de sintomáticos respiratórios nas unidades da Rede Mário Gatti estava 29,77% superior nos 11 primeiros dias de junho em relação à maio. Nos 31 dias de maio foram 23,5 mil atendimentos, enquanto em junho, 10,8 mil.

Prejuízo aos trabalhadores e usuários

Uma pessoa que trabalha no CS São Quirino conversou com a reportagem, mas preferiu não se identificar, afirmou que a equipe está abalada pela grande quantidade de casos dentro da unidade, acima do registrado em períodos mais críticos da pandemia, o que causou apreensão e afetou o psicológico dos trabalhadores. Além disso, o relato é de que a equipe já vinha desgastada pela sobrecarga de trabalho e por uma troca recente na coordenadoria, que ocasionou mudanças na organização do serviço e no fluxo de circulação dos pacientes.

"Foi um mês em que trabalhamos com a equipe reduzida. Isso dificultou o atendimento, visto que houve queda na capacidade e, certamente, teve gente que não conseguiu atendimento mesmo com agendamento, uma vez que médicos, dentistas e enfermeiros foram afastados no período."

No levantamento amostral feito pelo CMS, a categoria com o maior número de afastamentos entre os profissionais dos Centros de Saúde foi a de técnicos e/ou auxiliares de enfermagem, com 32. Na sequência, agentes comunitários de saúde (19) e médicos e enfermeiros (14).

A pessoa ainda citou que o CS São Quirino atende a uma população grande da região, mas que - por ser um lugar bem localizado, de fácil acesso e ser a única unidade da região Leste a abrir de sábado - ele também é mais acessível a receber a demanda de pessoas de outros lugares. 

A conselheira local e liderança comunitária, Mara Arlete Aparecida Araújo, relatou que os funcionários estão se desdobrando e dando o sangue para trabalhar. E ainda que recebeu muitas reclamações de usuários relatando dificuldades no atendimento.

"Eu me preocupo, porque fui eleita (conselheira) para defender a população. Porém, se os funcionários não estiverem bem, como eles poderão prestar um bom atendimento? Não tem como e é isso que está acontecendo."

Mara reclamou de uma mudança no espaço destinado à espera pelos pacientes, antes em local aberto, arejado e com possibilidade de distanciamento, mas, agora, dentro da unidade. Uma pessoa do CS São Quirino confirmou que a nova coordenação mudou o local de espera para uma área interna, mas que agora o acolhimento no espaço externo voltou a ocorrer.

Reavaliação

A Secretaria de Saúde informou que foi reavaliado o processo de acolhimento dentro da unidade com o intuito de melhorar o acesso dos usuários aos diferentes serviços oferecidos na unidade e que não há evidência de mais transmissibilidade devido ao novo fluxo. 

Já o CMS concluiu o boletim com algumas recomendações necessárias diante do atual cenário epidemiológico. Dentre elas a de aceleração da vacinação nas crianças, com campanhas de orientação aos pais e responsáveis quanto à segurança e importância do imunizante. 

O Conselho ainda pede que a vacinação seja feita nas escolas, como já ocorreu em alguns momentos da pandemia. Outra medida considerada indispensável pelos conselheiros é a obrigatoriedade do uso de máscaras em lugares fechados e a distribuição dos equipamentos de proteção à população mais vulnerável.

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