Na área de lazer, o mato alto está por diferentes partes, um cano estourou e há mais de um mês moradores do bloco 15 se deparam com vazamento em frente a porta de acesso ao local
Apartamentos com trincas por diversos cômodos, infiltrações e paredes mofadas. Em dias de chuva, muitos enfrentam também vazamento de água dentro da residência. Já na área de lazer, o mato alto está por diferentes partes, um cano estourou e há mais de um mês moradores do bloco 15 se deparam com vazamento em frente a porta de acesso ao local. A cesta de basquete da quadra poliesportiva desapareceu, assim como o gol e parte da grade de proteção. Os balanços do parquinho estão interditados e os banheiros da churrasqueira quebrados.Esta é a realidade do Residencial Colina Verde, localizado na rua José Penatti, no bairro Noiva da Colina, em Piracicaba. Apesar da situação já ter sido mostrada pela Gazeta de Piracicaba em setembro do ano passado, nada mudou. E mesmo tendo que arcar com valor médio de R$ 190 mensal de condomínio, o espaço aparenta estar abandonado pela administradora de condomínios.O caso foi parar na justiça. Os moradores reclamam e afirmam ter medo de algum incidente no local. No bloco 14, por exemplo, o piso de um dos apartamentos cedeu. Já no bloco quatro, quase todos os apartamentos estão com infiltração. “Já perdi as contas de quantas vezes pintei a sala da minha casa. Mas toda vez que chove, a infiltração deixa as paredes escuras. Além disso, há trincas na sala, na cozinha, na área de serviço e também no chão do corredor. Também temos que conviver com a água da chuva que escorre pelas paredes dentro de casa”, conta o radialista Claudio Toledo, de 43 anos, que vive no bloco quatro com um filho e a esposa. “Quando o engenheiro enviado pela Caixa Econômica Federal (CEF) visitou o apartamento, disse que era problema estrutural. Mas nunca mais voltou”, acrescenta. Mesma situação encontrada no apartamento da promotora de vendas Elisangela Regina da Silva, de 35 anos. “Pintei a sala do apartamento há menos de quatro meses e as paredes já estão escuras devido à infiltração. Além disso, meu apartamento está embaixo da caixa d'água. O telhado está quebrado e o forro que separa a caixa dos apartamentos também. Quando chove, a água escorre pelas paredes, invade o apartamento e também escorre escada abaixo”, diz ela, que vive no quarto andar do bloco quatro.A manicure Renata Priscila Mendes de Campos, de 30 anos, foi uma das poucas moradores que resolveram enfrentar a justiça na tentativa de conseguir melhorias para o espaço. “Muitos moradores se sentem acuados para processar os responsáveis pelo condomínio. Temos um tipo de cartilha que fala sobre normas e regras que cabem tanto aos moradores quanto a administradora. Nele consta a necessidade de manutenção do espaço. Mas vivo aqui há 10 anos e nunca fizeram nada. Nem ao menos pintaram as paredes”, diz.Outro problema apontado pelos condôminos é a lixeira. Ela está aberta e sem segurança. Qualquer pessoa da rua pode ter acesso ao residencial pulando a janela sem proteção que nela existe.Segundo os moradores, os blocos quatro, cinco, 13 e 15 são os que estão em situações mais críticas. Ao todo são 16 blocos com 16 apartamentos cada. Cerca de 200 famílias vivem no espaço. A construção do residencial, segundo eles, foi responsabilidade da CEF. Já a administração de condomínios cabe a empresa Contasul, de Peruíbe, que venceu processo licitatório. “Esta é a sexta empresa que assume a administração”, revela Renata.Durante visita da Gazeta de Piracicaba ao local, a equipe foi impedida por um dos funcionários da Contasul de tirar foto do espaço. Outro ladoA Gazeta de Piracicaba entrou em contato com a Contasul Administração, Serviços e Contabilidade. A pessoa que atendeu ao telefone e não quis se identificar informou devido ao contrato firmado entre ela e a CEF, está proibida de passar informações sobre o empreendimento.Já a assessoria de imprensa da Caixa disse que o residencial faz parte de um programa antigo (de arrendamento residencial) da instituição bancária. Por isto, funciona de um modo diferente dos programas atuais.Ainda segundo o departamento de comunicação, a responsabilidade da manutenção do espaço é da administradora, que é contratada pela Caixa. A assessoria de imprensa sugeriu verificar se os moradores estão pagando o condomínio (para que haja recursos financeiros para os serviços de manutenção).A área responsável pelo empreendimento informou que vai apurar tudo e que terá uma posição na próxima segunda-feira (23).