
iG - Messias Martins (Divulgação)
Dois dias nos separam da renuncia do Papa Bento XVI. Na próxima quinta-feira, por volta das 17h em Roma, 13h no Brasil, um helicóptero de cor branca vai decolar da pista de aterrissagem na Cidade do Vaticano para os céus de Roma. O papa estará a bordo e sentado ao lado dele, com toda a probabilidade, será o seu secretário particular, Georg Gänswein. Seu destino é Castel Gandolfo, a residência de verão papal, com a sua bela vista do Lago Albano.
Três horas mais tarde, precisamente às 20h, (horário local) o Papa não será mais um Papa. Sua cadeira será, então, “vacante”. O novo Papa irá assumir seu cargo até a Páscoa. Angelo Sodano, diplomata e atual cardeal da Pontifícia Academia Eclesiástica e Decano do Colégio dos Cardeais irá exercer as suas funções até então.
Penso que é válido no presente contexto, lembrar alguns trechos da carta de um Santo Bispo, que se mostra muito atual para o momento em que vivemos — http://padrepauloricardo.org/blog. Abro aspas apresentando aqui um breve resumo; são pequenos trechos de uma carta escrita por Santo Afonso Maria de Ligório com considerações acerca dos males que afligiam a Igreja e que diante da iminência do conclave de 1774/1775 deveriam ser levados em conta na escolha do novo Pontífice.
Você pode ler na integra no endereço eletrônico que informo acima. “Carta 773. Ao Padre Traiano Trabisonda — Viva Jesus, Maria e José! Arienzo, 24 de outubro de 1774 — Ilustríssimo Senhor, acerca do sentimento que se me pede sobre os assuntos atuais da Igreja e a eleição do Papa, que pensamento posso apresentar, eu um miserável ignorante e de tão pouco espírito, como sou? Digo apenas que são necessárias orações e grandes orações; já que, para levantar a Igreja do estado de relaxamento e de confusão em que se encontram universalmente todos os níveis, nem toda a ciência e prudência humana conseguem remediar, mas é preciso o braço onipotente de Deus. Em primeiro lugar, gostaria que o próximo Papa... usasse toda a sua força em negar mais benefícios àqueles que já estão de posse dos bens da Igreja que lhes bastam para a sua manutenção, segundo o conveniente ao seu estado. Mais ainda! Que se usasse diligência ao escolher os bispos (dos quais, principalmente, depende o culto divino e a salvação das almas), solicitando informações a mais pessoas sobre a sua vida digna e doutrina necessária para governar as dioceses. Gostaria ainda que o futuro Papa fosse muito reservado em conceder certas graças que prejudicam a boa disciplina... Sobretudo, desejaria que o Papa reconduzisse universalmente todos os religiosos à observância do seu primeiro Instituto, pelo menos nas coisas mais principais. Nada podemos fazer, a não ser rezar ao Senhor, que nos dê um Pastor pleno do seu espírito, que saiba estabelecer estas coisas que acenei brevemente, conforme for mais conveniente à glória de Jesus Cristo. E com isso, apresento-lhe minha humilíssima reverência, enquanto com todo o obséquio me confesso. Afonso Maria, bispo de Santa Águeda dos Godos”.
Essa carta nos faz pensar, e antes de tudo é um convite para rezarmos mais, aproveitando o tempo propício da quaresma, para o Conclave que se aproxima. Nós sentiremos sua falta Papa Bento XVI, mas não ficamos sozinhos. O Senhor Deus continuará com o Papa e com cada um de nós. O Cristão deve se equipar da segurança que nasce da fé. Não trata de uma segurança meramente doutrinal, mas de uma confiança no Deus que nos gerou para a liberdade. E ainda prometeu estar conosco todos os dias até o fim dos tempos. Portanto, eu creio que o Papa nos pede uma atitude de Fé diante de sua decisão, pois Deus saberá agir na Sua Igreja e na nossa História até chegarmos a Páscoa definitiva.