VIOLÊNCIA

Piracicaba tem sete assassinatos em quatro dias

Aposentado estava sentado numa cadeira na calçada de sua casa, de manhã, quando foi morto

Ana Cristina Andrade
19/04/2013 às 21:53.
Atualizado em 25/04/2022 às 19:28
Aposentado José Gazzi, 66 anos, foi morto no bairro Bosques do Lenheiro, em Piracicaba (Divulgação )

Aposentado José Gazzi, 66 anos, foi morto no bairro Bosques do Lenheiro, em Piracicaba (Divulgação )

Piracicaba registrou na sexta-feira (19) a sétima vítima de homicídio num período de quatro dias. O aposentado José Gazzi, de 65 anos, foi assassinado com sete tiros pela manhã na frente da casa dele, na Rua das Seringueiras, no Bosques do Lenheiro. Além do caso dele, outros dois são investigados na cidade, uma chacina com cinco mortos ocorrida na madrugada de quarta-feira e o assassinato de um homem também no Bosques na noite de terça-feira.

Gazzi estava sentado numa cadeira na calçada de sua casa, por volta das 10h, quando os criminosos chegaram atirando. O aposentado morreu na hora. Sentar-se na frente da casa era um hábito diário da vítima, segundo parentes. A filha de Gazzi, de 17 anos, disse à polícia que ouviu os disparos. Ao sair, viu seu pai caído na sarjeta.

Várias pessoas estavam na rua no momento do crime, de acordo com a polícia, mas como “no bairro impera a lei do silêncio”, conforme consta na ocorrência, ninguém quis falar. Um perito esteve no local e analisou a cena do crime.

Apesar dos tiros, nenhuma cápsula deflagrada foi encontrada ao lado ou nas proximidades do corpo. A delegada Eliana Rodrigues Carmona foi ao local, conversou com parentes de Gazzi, elaborou a ocorrência e encaminhou o caso à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) por ser crime de autoria desconhecida.

O aposentado havia registrado um boletim de ocorrência em setembro de 2011, no plantão policial da Rua do Vergueiro, onde informou ao delegado Haroldo Fernando Amaral que estava sendo caluniado e ameaçado por um casal vizinho.

Segundo consta no documento, 15 dias antes da data da ameaça, uma criança derrubou uma bola dentro de sua casa, na época estava em reformas. A criança, segundo relatou, pediu para apanhar a bola e ele permitiu. No mesmo dia, de acordo com o aposentado, parentes da criança passaram a acusá-lo de tê-la molestado e o ameaçaram de morte.

Com medo das ameaças, ele se mudou, mas passou o endereço para a polícia caso fosse necessário prestar depoimento. Na ocasião, o mesmo casal não registrou queixa contra Gazzi.

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