Mosquito geneticamente modificado é solto na natureza e evita o crescimento da larva
Em testes de laboratório, larvas do mosquito Aedes Aegypti não resistiram à bactéria desenvolvida pelos pesquisadores (Patrice Coppee/France Press)
Piracicaba é a primeira cidade do Estado de São Paulo a receber o “Aedes aegypti do Bem”, projeto desenvolvido pela Oxitec do Brasil e que visa diminuir significativamente a quantidade do mosquito da dengue e da chikunguya em algumas áreas. O bairro escolhido para o projeto-piloto é o Cecap, que tem em torno de 5 mil habitantes e apresentou 17 casos de dengue desde o início deste ano. O mosquito mutante será desenvolvido a partir da utilização do Aedes aegypti OX 513-A (uma linhagem geneticamente modificada do Aedes aegypti selvagem). Nesta segunda-feira (2), após anúncio oficial feito no gabinete do prefeito Gabriel Ferrato (PSDB), um grupo da Oxitec foi para o bairro iniciar um trabalho de conscientização da população. Terminado esse processo, terá início a soltura dos mosquitos (a previsão é para meados ou final de abril). Como age De acordo com Guilherme Trivelatto, gerente do projeto, o mosquito macho, produzido em laboratório, vai ser liberado na natureza, irá encontrar-se com a fêmea, cruzar. A fêmea irá colocar os ovos que vão dar as larvas, que morrem antes de chegarem à fase adulta. “Temos duas linhas a seguir quando formos fazer a soltura. Uma será a área de liberação e a outra a parte de monitoramento. A liberação a gente faz com potes plásticos, preparando antes com 1.000 mosquitos por pote, e vamos abrindo-os de maneira a sobrepor a área de voo dos mosquitos, para que seja montada uma distribuição uniforme dos mosquitos dentro da área a ser tratada.” Solturas Segundo Trivelatto, serão feitas solturas de 100 a 200 mosquitos por habitante, por semana, divididas em três liberações. “A expectativa é que após quatro a seis meses de liberação, o nível da população de mosquito transmissor da dengue e da chikunguya na área tratada já tenha caído significativamente em relação às áreas não tratadas”, explicou. Para que não restem dúvidas quanto ao projeto, e com objetivo de conscientizar a população do Cecap, além de panfletos com detalhes do “mosquito do bem”, funcionários da Oxitec levaram ontem para o bairro duas gaiolas cheias de pernilongos machos. Foi uma forma de mostrar à população que ele não pica. “O mosquito da dengue faz muito mal para nós. Temos que eliminar todos os criadouros. Acho que esse projeto vai ajudar muito a combater essa doença”, disse Ana Laura Tunussi Pitombeira, de 10 anos. Raimunda Eugênia Nunes, de 61 anos, relutou no início, mas acabou confiando e colocando a mão na gaiola. Ficou cheia de pernilongos, mas não levou picadas. “Já tive dengue e fiquei com receio.”