EDITORIAL

Um balanço da produção industrial

Do Correio Popular
22/06/2022 às 09:22.
Atualizado em 22/06/2022 às 09:22

Os constantes aumentos do óleo diesel impactam o custo do frete, uma das variáveis que influenciam no preço final dos insumos usados pela indústria (Ricardo Lima)

Faltando menos de 10 dias para o encerramento do primeiro semestre, cresce a sensação de que 2022 ficará marcado como um ano infrutífero do ponto de vista econômico, com o desarranjo das cadeias de produção, inflação na casa de dois dígitos, alta na taxa de juros e disparada alucinante do preço dos hidrocarbonetos. Diante desse quadro de turbulências, agravado pelo peculiar cenário de instabilidade política de períodos eleitorais, as empresas da Região Metropolitana de Campinas estão receosas em investir o seu capital ou de terceiros em projetos de expansão.

A tradicional sondagem do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) detectou que 44% das empresas da região decidiram suspender investimentos pelo período de pelo menos um ano; 36% admitem, ao menos, a possibilidade de atualizar o maquinário; e somente 20% pretendem investir em novos equipamentos. Historicamente, é natural que o mercado se comporte de forma cautelosa em anos eleitorais. Porém, as incertezas quanto à queda da inflação e crescimento econômico longo e duradouro mostram-se bastante acentuadas desta vez, devido às dificuldades encontradas pelo Executivo e Legislativo, em fim de mandato, de construir uma política pública consistente capaz de modificar esse quadro.

A última pesquisa do Ciesp descobriu um paradoxo na produção industrial de junho que, segundo os analistas de mercado, pode estar camuflando um processo inflacionário persistente e ameaçador às bases do Plano Real. A sondagem identificou que o setor industrial conseguiu repassar ao consumidor o reajuste dos custos das matérias-primas, desencadeado pelas recentes altas do óleo diesel e juros. Com os preços majorados, houve um aumento da produção e faturamento das indústrias em junho, tanto que 52% das quase 500 empresas pesquisadas confirmaram que o resultado foi bem melhor este mês. No entanto, há o consenso na classe empresarial de que esse bom desempenho pode não se sustentar, caso o preço dos combustíveis e das taxas de juros continuem subindo nessas proporções.

Diante disso, vale questionar: acaso persista esta temerária combinação de juros elevados, inflação dos alimentos e combustíveis - principalmente do diesel - estaria o patrimônio da estabilidade econômica construído nas últimas três décadas ameaçado? Para alguns analistas, a resposta é sim, principalmente, se a autoridade monetária e fiscal continuar privilegiando a retórica em detrimento de uma atuação concreta nas estruturas que retroalimentam esse desequilíbrio.

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