XEQUE-MATE DA ECONOMIA

Taxa de Câmbio

Estéfano Barioni/[email protected]
09/06/2024 às 11:40.
Atualizado em 09/06/2024 às 11:40
 (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

(Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

A taxa de câmbio continua registrando desvalorização do Real frente às principais moedas do mundo. A cotação do Dólar dos Estados Unidos já passou dos R$ 5,25 apresentando uma alta de 8,3% desde o começo do ano. O Euro já ultrapassou R$ 5,70 com uma alta acumulada de 6,8% em 2024. Além disso, a trajetória de elevação dessas moedas não dá demonstrações de estar próxima do fim, com os valores do começo do ano parecendo partes de um passado remoto.

Capitais

O motivo para a desvalorização do Real frente às moedas fortes do mundo é a saída de capitais da economia brasileira. Os investidores preferem migrar seus investimentos para fora do Brasil, sentindo-se atraídos pelas taxas de juros relativamente elevadas nas economias centrais, com menor exposição ao risco, também por estarem pouco confiantes com as perspectivas da economia brasileira. O resultado é um fluxo de saída de moeda maior que o de entrada, desvalorizando o Real.

a frase

“A consciência é nosso juiz infalível até que finalmente a sufocamos."
Honoré de Balzac, escritor francês

Fiscal

Um dos fatores que contribui mais fortemente para o sentimento de desconfiança dos investidores é o desempenho fiscal do governo. Ao não demonstrar um efetivo controle das contas públicas, acumulando um grande déficit primário mesmo em uma situação de arrecadação recorde, o governo afeta a confiança dos investidores, pois torna-se ele próprio o grande demandante de financiamento, consumindo recursos que poderiam ser investidos na iniciativa privada. 

Eficiência 

Se o governo fosse conhecido pela eficiência com que gasta o dinheiro, selecionando e conduzindo adequadamente projetos que irão fornecer bons retornos, de maneira autossustentada, não haveria problema. No entanto, infelizmente essa não é a realidade. A falta de confiança de investidores decorre do temor que os recursos que o governo consome serão gastos em projetos de má qualidade, sem geração de resultados.

Ciclo 

Nesse cenário, o governo torna-se cada vez mais demandante de financiamento, uma vez que os projetos que desenvolve dão maus resultados e baixos retornos. O que se segue é um ciclo de baixo crescimento da economia, em que o governo consome grande parte dos recursos disponíveis, gerando poucos resultados, e a iniciativa privada fica com menos recursos para investir em seus projetos. Segue-se uma recessão, como a que tivemos em 2015/2016. 

Ajuste 

Nos casos de desequilíbrio fiscal crônico, um ajuste é necessário e este geralmente acontece em duas frentes. A primeira é fiscal, com aumento de impostos e corte abrupto de despesas. A segunda frente é cambial, com desvalorização da moeda. A desvalorização da moeda promove um certo alívio no endividamento do governo, que é majoritariamente em moeda nacional. Se o Real passa a valer menos e o valor da dívida está em Reais, então o valor efetivo da dívida diminui. 

Ajuste 2 

Para os países que possuem câmbio fixo, determinado pela autoridade econômica, a desvalorização da moeda pode ser feita abruptamente, em uma simples "canetada". Para os países que possuem câmbio flutuante, como o Brasil, o movimento dos investidores fornece um mecanismo automático de ajuste. A deterioração da situação fiscal normalmente é seguida de desvalorização cambial.

Exportações 

Para um país que é exportador de commodities, a desvalorização cambial aumenta o valor das exportações em moeda nacional. De fato, a desvalorização cambial torna a economia de um país exportador mais competitiva no comércio internacional. No entanto, essa competitividade é artificial, não sendo conseguida por elevados níveis de qualidade ou produtividade, mas por uma simples questão cambial. 

Efeitos 

A desvalorização do Real não está sendo causada por um ataque especulativo à nossa moeda, mas por razões produzidas internamente. Seus efeitos colaterais incluem pressões sobre a inflação, devido aos impactos diretos do preço de produtos e insumos importados e impactos generalizados da perda de valor da moeda. Não é um custo nada baixo.

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