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Os desafios da insegurança alimentar

Do Correio Popular
07/07/2022 às 20:24.
Atualizado em 08/07/2022 às 08:42

As doações de comida despencaram 72% no Banco de Alimentos de Campinas (Gustavo Tilio)

Segundo a Unicef, a cada cinco minutos, uma criança morre no Brasil, a maioria vítima da fome. Os sobreviventes serão os adultos sequelados do futuro, com a saúde física e mental comprometida pela falta de nutrientes na infância, que limita a capacidade funcional de conseguir emprego e, portanto, de gerar renda para o seu sustento. A baixa ingestão de proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais, por longo período, favorece o surgimento de enfermidades crônicas, como diabete, doenças cardiovasculares, infecções intestinais, osteoporose, obesidade e comprometimento imunológico, entre outros males.

Dados da ONU revelam que a fome mata cerca de 280 a 290 crianças por dia no país. Desde tempos imemoriais, a humanidade convive com esse flagelo, ora por conta de calamidades, como as climáticas, sísmicas e epidemiológicas, ora pela ação ou omissão culposa, ou dolosa do próprio homem, causador de guerras, desigualdades sociais, reforma agrária precária, má administração de recursos naturais, conflitos políticos e civis, políticas econômicas mal planejadas, superpopulação e pobreza.

Diante disso, o conceito de segurança alimentar surgiu na década de 70, que, por definição, não se trata da abstenção eventual do alimento, mas sim da incerteza permanente da disponibilidade de comida na mesa.

Em Campinas, o processo de empobrecimento da população também apresenta contornos dramáticos e preocupantes. Conforme os dados cadastrais do serviço de assistência social da Prefeitura, o número de famílias que vivem na extrema pobreza, com até R$ 105 por mês, cresceu 46% durante a pandemia da covid-19. Agora, são 137 mil pessoas sobrevivendo nessa terrível condição subumana, com a agravante de que as doações de comida despencaram 72% no Banco de Alimentos do município e 80% na Central Única das Favelas, que respondem por boa parte do volume de donativos na cidade.

Nos limites de sua competência e alcance das políticas públicas assistenciais, Campinas vem desenvolvendo um trabalho satisfatório no sentido de aliviar o sofrimento das pessoas, porém, os resultados almejados não serão suficientes, dado que as causas originais da vulnerabilidade social são oriundas da macroeconomia, cujo mecanismo de controle e gestão depende da vontade política, competência administrativa e conveniência republicana daqueles que detêm o mandato popular para cumprir essa missão prevista na Constituição Federal e em diversos tratados internacionais, dos quais o Brasil é signatário.
 

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