JORGE ALVES DE LIMA

Guarani surra Santos por goleada: 5 a 1

03/10/2020 às 09:22.
Atualizado em 27/03/2022 às 23:34

Jorge Alves de Lima, historiador, escritor, é presidente da Academia Campinense de Letras (DIVULGAÇÃO)

O título acima, meus distintos leitores e leitoras, foi a manchete do Correio Popular, no seu noticiário esportivo a respeito da vitória estupenda do Guarani contra o Santos, pelo escore de 5 a 1, em jogo pelo Campeonato Paulista de 1964. Aquele ano, para mim, foi decisivo e marcou minha trajetória profissional para toda a minha vida. No ano anterior, eu tinha concluído meu curso de Direito ao lado dos meus amigos Lauro Péricles Gonçalves, João Batista Morano, Arthur Pinto de Lemos, Paulo de Tarso Barbosa Duarte, Marcel Dantas de Campos e tantos outros. Em 1963, eu havia, também, coordenado a campanha política de Ruy Novaes à Prefeitura Municipal. Em 1 de janeiro de 1964, Ruy Novaes tomou posse, e levou-me para trabalhar em seu gabinete. Naquela quarta-feira do dia 18 de novembro, os cinemas anunciavam, no Cine Ouro Verde, o inesquecível filme “Bonequinha de Luxo” com a meiga e fascinante Audrey Hepburn, e, no Cine Brasília, a deliciosa comédia italiana “A Beleza de Hipólita”, com a linda Gina Lollobrigida. Todavia, naquela quarta-feira, a cidade estava eufórica e centrada no jogo do Guarani contra o Santos, à noite, no estádio Brinco de Ouro da Princesa. Apesar de pontepretano, eu não perderia a oportunidade de assistir ao então melhor time de futebol do mundo, que contava com o fabuloso Pelé na plenitude da sua forma física e técnica. Fui ao jogo e jamais me arrependi: foi a melhor atuação que vi dos times de Campinas em todos os tempos. Sob a arbitragem do juiz Armando Marques, as equipes adentraram ao gramado: Santos: Gilmar, Ismael e Modesto; Zito, Lima e Geraldino; Peixinho, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe – técnico Lula. O Guarani: Sidney, Osvaldo Cunha e Ditinho; Ílton, Eraldo e Diogo; Joãzinho, Nelsinho, Babá, Américo Murolo e Carlinhos – técnico Armando Renganeschi. O time esmeraldino começou a partida recuado, atraindo o Santos para o seu campo e, jogando em contra-ataque, colocando em polvorosa a defensiva praiana. Com esse esquema de jogo, logo aos cinco minutos, o Guarani marcou o gol de abertura, com o ponteiro Carlinhos. Com a bola lançada por Américo, Carlinhos avançou pelo meio, fintou Ismael e finalizou. A bola bateu no travessão de Gilmar e, no rebote, o ponteiro esquerdo cabeceou-a para a rede. A bola entrou devagarzinho. Porém, o Guarani, ainda festejava o gol de abertura, quando, aos seis minutos, Mengálvio recebeu a bola na entrada área e chutou. Ditinho, no desejo de impedir o gol, mandou a bola para a própria rede. Mas, dois minutos após, aos oito minutos, Joãozinho recebeu a bola pela direita e, em alta velocidade, fintou o zagueiro Modesto e chutou forte e rasteiro. A bola passou entre as pernas de Gilmar e entrou cruzada, no canto direito. Aos 44 minutos, depois de Ílton e Américo terem trocado passes, a bola foi a Babá. Ele disputou com Modesto e, quando parecia que já tinha perdido o lance, o centroavante entrou por trás, deu a volta pela esquerda, roubou a bola do zagueiro santista e chutou cruzado, mesmo sem ângulo. A bola venceu Gilmar, bateu no poste direito e foi parar na rede. No segundo tempo, aos dez minutos, Babá, num contra-ataque, invadiu a área e recebeu a falta de Modesto. Penalidade máxima marcada pelo juiz Armando Marques. Américo cobrou no canto direito. Gilmar defendeu parcialmente e, na recarga, Américo ajeitou a bola e concluiu marcando o quarto gol. Dois minutos depois, Osvaldo Cunha cometeu a penalidade máxima em Pelé, que cobrou dando a clássica paradinha. Sidney, entretanto, caiu bem no canto esquerdo e defendeu. E finalmente, o Guarani assinalou o quinto gol, aquele que deu cores de goleada definitiva, aos quarenta minutos, por intermédio de Nelsinho que, recebendo o lançamento da bola de Américo, caiu pela esquerda. Na saída de Gilmar, Nelsinho encobriu-o, dando-lhe um chapéu. Todos os lances dos gols são cópia exata da reportagem esportiva do Correio Popular. A atuação do time do Guarani foi brilhante. Recordo-me bem do excelente goleiro Sidney, do Osvaldo Cunha, Eraldo, Joãozinho sensacional, quer na ponta direita, quer como lateral direito, substituindo Osvaldo Cunha no final, por contusão, Babá, raçudo e valente dentro da área. Nelsinho arisco e rápido e Carlinhos na ponta esquerda. Até hoje, o lateral Ismael o está procurando! Mas atuação de Américo Murolo foi fantástica. Meia-armador de grandes predicados técnicos, clássico, dono de um passe espetacular, atuava também com perfeição dentro da área. Jogador completo, é difícil no futebol atual achar outro da mesma envergadura e quilate. Noite marcante na história do futebol de Campinas! Jorge Alves de Lima, historiador, escritor, é presidente da Academia Campinense de Letras

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Anuncie
(19) 3736-3085
comercial@rac.com.br
Fale Conosco
(19) 3772-8000
Central do Assinante
(19) 3736-3200
WhatsApp
(19) 9 9998-9902
Correio Popular© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por