Eletrobras (Fernando Frazão/ Agência Brasil)
A divulgação do balanço da Eletrobras, nesta semana, chamou a atenção do mercado e da imprensa. Os resultados, relativos ao exercício de 2022, mostraram que a empresa teve uma queda de 36% em seu lucro líquido, quando comparado com o resultado apurado no ano anterior. O resultado em si talvez não chamasse tanto a atenção, não fosse esse o primeiro balanço divulgado pela empresa após sua privatização.
Resultado
O resultado obtido pela empresa não deixa de ser robusto, pois no ano passado a Eletrobras obteve R$ 3,64 bilhões de lucro líquido. No entanto, prevalece a comparação com o ano anterior, no qual a empresa conseguiu um lucro líquido de R$ 5,71 bilhões. O lucro líquido é o resultado final de todas as operações da empresa em um período, depois do pagamento de todas as despesas, juros sobre a dívida e impostos.
FRASE
"O foco da Eletrobras é em geração renovável e em transmissão. Vamos participar dos leilões de transmissão"
Wilson Ferreira Jr., presidente da Eletrobras
Gestão
A privatização da empresa foi realizada em junho do ano passado. Evidentemente, é pouco tempo para que qualquer alteração na gestão da empresa já surtisse efeitos e impactasse os resultados obtidos em todo o ano. De todo modo, é normal que houvesse uma expectativa sobre o desempenho. Assim como um novo governo já é cobrado por resultados no primeiro mês de seu mandato, uma nova gestão de empresa privatizada também é.
PDV
Segundo o comunicado emitido pela Eletrobras, a diferença nos resultados foi devida, em grande parte, às despesas relacionadas ao Plano de Demissão Voluntária (PDV). O plano, realizado em dezembro, teve adesão de quase 2.500 funcionários e gerou despesas de R$ 1,26 bilhão. Segundo a empresa, o gasto com o PDV terá retorno em 13 meses pela economia de salários, que será em torno de R$ 95 milhões por mês. O que nos faz perceber que eram, de fato, salários muito bons.
PDV 2
A partir de abril, a empresa irá fazer um novo PDV com o objetivo final de reduzir em 20% os 14 mil funcionários da empresa. Segundo comunicado da administração, esse novo PDV terá um custo menor para a empresa, por já ter sido negociado com os funcionários e o sindicato considerando a nova configuração da empresa.
Prejuízo
Outros fatores que impactaram os resultados foram a provisão de R$ 3,35 bilhões em créditos de liquidação duvidosa para a Amazonas Energia, uma distribuidora subsidiária do grupo Eletrobras, e a diminuição de R$ 1,68 bilhões da receita financeira com os contratos de transmissão, que são reajustados pelo IPCA e IGP-M, conforme o ano de competência. Com todos esses fatores, no quarto trimestre de 2022, a Eletrobras teve um prejuízo líquido de R$ 480 milhões.
Operacional
Esses fatores impactaram não apenas a lucro líquido, mas também influenciaram o resultado operacional da empresa, como visto na evolução de seu EBITDA, que teve redução de 18% entre 2021 e 2022. Enquanto o lucro líquido pode ser maior ou menor conforme a empresa paga menos ou mais juros, ou tem mais despesas não operacionais como a depreciação, o EBITDA é mais restrito ao desempenho operacional da empresa.
Preço
A análise das receitas de geração e da quantidade de energia gerada pela empresa indicam um preço de venda médio em torno de R$ 190/MWh, o que é considerado baixo, especialmente sabendo-se que a tarifa de eletricidade para os consumidores residenciais chega a ser mais de 5 vezes esse valor. Obviamente, o preço ao consumidor final é maior do que o preço da eletricidade na geração, mas uma disparidade tão alta assim é ruim, tanto para os consumidores como para os geradores.
Medida
A Eletrobras é a maior empresa do setor elétrico brasileiro. Ainda é cedo para fazer qualquer balanço sobre a gestão privada da Eletrobras. No entanto, se a medida do sucesso for feita somente em termos de desempenho financeiro, será difícil não ver uma melhora com o passar do tempo. As taxas de retorno da empresa sempre foram menores do que as das outras grandes empresas do setor.