XEQUE-MATE DA ECONOMIA

Desigualdade

Estéfano Barioni
14/04/2022 às 18:37.
Atualizado em 15/04/2022 às 11:53

O Brasil, infelizmente, é um dos países mais desiguais do mundo (Divulgação)

A Sexta-Feira da Paixão é um dia que convida ao comedimento e à reflexão sobre a condição humana. Entre os temas que circundam a condição humana, talvez a desigualdade seja o mais incômodo e o menos alinhado aos valores cristãos. Entre outros males, a desigualdade geralmente conduz à miséria, à injustiça e ao subdesenvolvimento. 

Desigualdade 2

O Brasil, infelizmente, é um dos países mais desiguais do mundo. A desigualdade pode existir em várias dimensões, tais como diferenças no acesso à educação e saúde, desigualdades entre os gêneros, desigualdades de direitos e deveres, diferenças nas oportunidades de desenvolvimento profissional e pessoal, entre outras.

FRASE

"A desigualdade extrema não só é inútil como pode ser prejudicial ao crescimento porque reduz a mobilidade e pode levar à captura política das instituições democráticas".
Thomas Piketty, economista francês

Rendas

No entanto, a desigualdade de renda é um parâmetro útil pois acaba resumindo todas as outras desigualdades possíveis existentes em uma sociedade. Um maior nível de renda geralmente garante um melhor e mais amplo acesso a serviços, tais como os de saúde e educação, gerando mais oportunidades, e também oferece maior garantia de proteção aos direitos individuais.

Brasil

Segundo estimativas do Banco Mundial, o Brasil aparece como o 9° país mais desigual do planeta em termos de distribuição de renda. As estimativas do Banco Mundial levam em consideração o índice de Gini para determinar o nível de distribuição de renda dos países. Segundo o ranking do Banco Mundial, a África do Sul é o país mais desigual do mundo, certamente reflexo das políticas de segregação racial que prevaleceram naquele país até 1994. 

Índice de Gini

O índice de Gini é um indicador criado pelo matemático italiano Conrado Gini para medir o grau de concentração de renda em uma economia. De modo geral, esse índice aponta a diferença entre a renda detida pelos mais pobres e pelos mais ricos, com valores variando entre 0 e 100. Quanto maior o valor do índice de Gini, maior a desigualdade de renda na economia estudada. 

Índice de Gini 2

Um índice de Gini igual a 100 significa a desigualdade absoluta, onde um único indivíduo teria a posse de toda a renda de uma sociedade. Um índice de Gini igual a 0 significa que a igualdade é total, e nenhum indivíduo recebe um centavo sequer a mais do que as outras pessoas nessa sociedade. Entre esses dois extremos, que de fato nunca se verificam, estão as economias reais.

Ranking

Segundo dados de 2019, o Brasil aparece em 9° no ranking de desigualdade de renda com um índice de Gini igual a 53,9. Na América do Sul, apenas o Suriname possui um nível de desigualdade maior, com um índice de Gini igual a 57,9. Os Estados Unidos têm um índice de Gini igual a 41,4 e os países da União Europeia possuem índices de Gini por volta de 35,0 ou mais baixos.

Causa e Efeito

Os países em desenvolvimento possuem normalmente maiores níveis de desigualdade de renda do que os países desenvolvidos. Os Estados Unidos são uma exceção, possuindo um nível de desigualdade relativamente alto. No caso dos países emergentes, a desigualdade de renda é tanto uma causa como uma consequência do baixo nível de desenvolvimento. 

Causa

Grandes desigualdades de renda implicam em mercados internos mais fracos, pois parte da população tem baixo poder aquisitivo. Isso limita o potencial de crescimento econômico. Além disso, a parcela da população com baixo nível de renda possui menor acesso aos sistemas educacionais e uma pior qualificação profissional, o que implica em baixa produtividade do trabalho. 

Efeito

Do outro lado, a desigualdade é mantida e exacerbada pelas diferenças no acesso à educação. Sistemas educacionais inadequados não preparam todos, mas apenas a parcela da sociedade que possui maior renda. Essa parcela acaba conseguindo melhor capacitação, empregos mais qualificados e melhores salários, contribuindo para tornar o problema da desigualdade mais profundo. 
 

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