XEQUE-MATE DA ECONOMIA

Câmbio

Estéfano Barioni
19/04/2022 às 19:58.
Atualizado em 20/04/2022 às 08:18

A valorização do Real é resultado da forte entrada de capitais estrangeiros (Divulgação)

Após algumas correções na semana passada, quando as principais moedas internacionais se valorizaram e recuperaram uma pequena parte das perdas desse ano, nesta semana o Real volta a se valorizar. Tanto o Dólar como o Euro se aproximam dos valores mínimos dos últimos dois anos. O Dólar fechou a segunda-feira cotado a R$ 4,65 enquanto o Euro encerrou o dia na cotação de R$ 5,01.

Alta de Juros

A valorização do Real é resultado da forte entrada de capitais estrangeiros, que é alimentada especialmente pelas altas da taxa de juros que o Brasil vem realizando desde o ano passado. Para tentar conter a inflação, o Banco Central brasileiro promoveu a maior alta de juros entre as economias mundiais em 2021. 

FRASE

"Falando em inflação brasileira, vamos chegar no pico em abril e voltar a cair".
Roberto Campos Neto, presidente do BC

Diferencial de Juros

Como as economias centrais mantiveram baixas taxas de juros no ano passado (a União Europeia terminou o ano com juros de 0% e os Estados Unidos fecharam o ano com a taxa de juros variando entre 0% e 0,25% ao ano), o diferencial de juros tornou-se muito atrativo para investidores estrangeiros aplicarem na renda fixa brasileira. 

Juros no Mundo

Atualmente a taxa Selic está ao nível de 11,75% ao ano. A Europa mantém juros zerados enquanto os Estados Unidos iniciaram o ciclo de aperto monetário e atualmente têm juros de 0,5%. No Reino Unido, os juros estão em 0,75% e no Canadá a taxa de juros foi elevada a 1,0%, ao passo que Suíça e Japão mantêm taxas de juros negativas (-0,75% e -0,10% respectivamente). 

Juros no Mundo 2

Desse modo, o Brasil apresenta um grande diferencial de juros em relação a todas essas economias. Em comparação com outros países emergentes, o Brasil é o que atualmente apresenta a melhor relação benefício-risco. A Índia está com taxas de juros em 4,0%. A Rússia elevou seus juros a 17% mas está totalmente fora da mira dos investidores por causa da guerra. A Turquia também é considerada mais arriscada por interferências do governo na economia. 

Retorno x Risco

Dessa forma, o Real está se beneficiando do fato do ciclo de aperto monetário ter se iniciado no Brasil muito antes do que no resto do mundo desenvolvido. Com um risco país nos níveis mais baixos dos últimos 10 meses, e com juros bem mais elevados do que o resto do mundo, o país atrai recursos internacionais que buscam melhores relações entre retorno e risco.

Commodities

Além disso, o Real também tem se beneficiado da alta das commodities, cujo patamar elevado tem provocado aumento no volume de recursos que entram no país por conta das exportações. Os futuros da soja e do minério de ferro estão perto das máximas históricas. Com isso, o fluxo de dólares para o país também aumenta. Maior oferta de dólares faz baixar a cotação da moeda norte-americana. 

Inflação

O processo de valorização do Real não deve se reverter tão rapidamente. A inflação persistente em níveis muito acima da meta mostra que o processo de aperto monetário e elevação das taxas de juros no Brasil pode ser prolongado. O IPCA de março ficou em 1,62%, bem mais alto do que o esperado, e o IGP-10 divulgado nesta segunda-feira ficou em impressionantes 2,5%.

Greve no B

A greve dos funcionários do Banco Central, e também da Receita Federal e de alguns outros funcionários ligados ao Ministério da Economia, tem provocado um apagão de dados. Não existem informações disponíveis sobre o fluxo de capitais estrangeiros entrando no país. O que se sabe é que o saldo de entrada continua positivo, atraído pelo diferencial de juros. 

Impactos

Com a manutenção do diferencial de juros, mantêm-se as condições que fazem o Real se valorizar. Esse efeito pode produzir impactos positivos no controle da inflação, na medida em que ajuda a reduzir o preço dos produtos importados e, especialmente, a conter a alta dos combustíveis. Infelizmente observa-se que a velocidade dos repasses de variações da taxa de câmbio nos preços internos é muito maior no sentido da alta do que no sentido da queda. 
 

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