XEQUE-MATE DA ECONOMIA

Ata do Copom

Estéfano Barioni
30/03/2024 às 10:53.
Atualizado em 30/03/2024 às 10:53
Fachada da sede do Copom (Divulgação)

Fachada da sede do Copom (Divulgação)

Nessa semana foi divulgada a ata da reunião do Copom, realizada na semana passada, que promoveu um novo corte de 0,5 ponto percentual na taxa Selic, mantendo o ritmo de redução dos juros e levando a taxa básica de juros a 10,75% ao ano. Como novidade, o documento traz maiores detalhes sobre a mudança na projeção que o Comitê faz para os próximos passos da política monetária.

Exterior

Em relação ao cenário externo, ainda existem incertezas sobre quando as economias centrais - especialmente os Estados Unidos - irão iniciar o processo de redução de corte de suas taxas de juros. Atualmente, os Estados Unidos estão mantendo uma taxa de juros de 5,5% ao ano, o que é um valor alto para os padrões da economia norte-americana (é a taxa de juros mais alta no país desde maio de 2001).

Exterior 2

Embora a inflação nos Estados Unidos tenha se reduzido, ficando abaixo de 2% ao ano na medição de fevereiro, o mercado de trabalho continua aquecido no país e os índices das bolsas de valores têm batido recordes sucessivos. A redução da taxa de juros pode acelerar o crescimento, com o risco de superaquecimento da economia e de criação de bolhas de valorização. Por isso, as taxas de juros seguem mantidas. Fluxos de Capital Esse cenário requer cautela dos países emergentes. As taxas de juros da economia norte-americana, mantidas em um nível elevado, exercem uma grande atração sobre os investidores globais, desequilibrando os fluxos de capitais internacionais. Esse desbalanceamento provoca fuga de capitais em economias menos estáveis, que são percebidas como mercados mais arriscados.

Japão

Um exemplo ilustrativo dessa dinâmica, e que não está na ata do Copom, é o que tem acontecido no Japão. Todos os países reduziram suas taxas de juros para enfrentar a pandemia, mantendo suas economias minimamente aquecidas. O Japão vinha mantendo taxas de juros negativas desde então. No entanto, assim que os Estados Unidos começaram a subir seus juros para conter a inflação interna, a moeda japonesa começou a se desvalorizar.

Japão 2

Em março de 2022, os Estados Unidos deram início ao processo de elevação dos juros, que estavam em 0,25% ao ano. Em agosto do ano passado, os juros americanos chegaram a 5,5% ao ano e estão mantidos nesse patamar até hoje. O Japão manteve juros negativos de -0,1% ao ano durante todo esse período. Esse desbalanço provocou fuga de capitais e, de março de 2022 até hoje, o Iene japonês teve uma desvalorização de 33% frente ao Dólar.

Influência

Nesse mês de março, o Japão abandonou a política de juros negativos. Agora, a taxa de juros no país está em 0% ao ano. Se o Japão, que é a quarta economia do mundo, sofre grande influência das decisões econômicas nos Estados Unidos, imagine países com menor poder econômico, como é o caso dos emergentes e do Brasil. As decisões de política monetária não podem ignorar o que acontece no resto do mundo.

Projeção

Voltando à ata do Copom, o Comitê afirma que não existe uma relação mecânica entre a política monetária dos Estados Unidos e as decisões sobre taxas de juros no Brasil, mas que os efeitos de transmissão do cenário externo sobre a economia brasileira são constantemente monitorados. Por conta das incertezas sobre o cenário internacional, o Copom preferiu adotar uma postura mais flexível e indicar o movimento esperado apenas para a próxima reunião.

Decisão

A redução da taxa Selic em 0,5 ponto percentual foi decidida por unanimidade pelos membros do Copom, que projetam uma nova redução da mesma magnitude para a próxima reunião, no dia 08 de maio, quando a Selic deve ser reduzida para 10,25% ao ano. A partir daí, o Copom já não se compromete em manter o ritmo de cortes, aguardando a evolução do cenário internacional para fazer qualquer sinalização.

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