EDITORIAL

A dengue não respeita fronteiras

Do Correio Popular
23/02/2024 às 12:41.
Atualizado em 23/02/2024 às 12:41
Com um aumento bastante considerável na quantidade de casos neste ano, a Prefeitura de Valinhos informou que assim que uma infecção é confirmada ela avalia a região em que ocorreu e faz o monitoramento da disseminação da doença na redondeza, incluindo visitas a todos os imóveis em um raio de 500 metros (Rodrigo Zanotto)

Com um aumento bastante considerável na quantidade de casos neste ano, a Prefeitura de Valinhos informou que assim que uma infecção é confirmada ela avalia a região em que ocorreu e faz o monitoramento da disseminação da doença na redondeza, incluindo visitas a todos os imóveis em um raio de 500 metros (Rodrigo Zanotto)

A alarmante escalada dos casos de dengue em Campinas e seu entorno exige uma análise minuciosa e ação imediata. Sete das oito cidades que compartilham fronteiras territoriais com Campinas enfrentam um aumento preocupante nas infecções pelo Aedes aegypti. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, as infecções dispararam de 326 entre janeiro e fevereiro de 2023 para 1.288 no mesmo período deste ano, representando uma elevação de assustadores 295% em Valinhos, Indaiatuba, Monte Mor, Paulínia, Sumaré, Jaguariúna e Pedreira. A conurbação e a dependência das atividades diárias dessas cidades em relação à metrópole podem explicar, em parte, o aumento significativo dos casos. O vínculo estreito entre as localidades facilita a propagação do mosquito.

Em meio a esse cenário desafiador, Campinas também enfrenta números alarmantes, registrando 6.730 casos de dengue, com 705 novas infecções em apenas 24 horas. O Painel das Arboviroses da Prefeitura confirma a gravidade da situação, enquanto o governo estadual destaca a presença de três casos graves. As autoridades sanitárias de Campinas têm demonstrado comprometimento e ações assertivas no combate à dengue. No entanto, é imprescindível destacar que o sucesso nesse enfrentamento depende não apenas da atuação do poder público, mas também da colaboração efetiva da população. A eliminação de focos do mosquito exige a participação ativa de cada cidadão, conscientizando-se sobre a importância de medidas simples, como a eliminação de recipientes que acumulam água parada. Além disso, é crucial que a população permita a entrada das equipes de saúde em suas residências para vistorias e eliminação de possíveis focos do mosquito.

Por fim, é imperativo relembrar a revoltante decisão do Governo Federal de excluir Campinas da lista de municípios contemplados com a vacina contra a dengue. Em meio à urgência dessa situação, é crucial que essa demanda seja reavaliada e atendida. A vacinação é uma ferramenta essencial na redução da incidência e gravidade da doença, e sua ausência em Campinas pode representar um obstáculo significativo no enfrentamento dessa epidemia a longo prazo.

Enquanto as autoridades sanitárias de Campinas continuam no caminho certo no combate à dengue, a colaboração da população é fundamental para reverter esse cenário preocupante. A união de esforços entre governo e sociedade é a chave para preservar a saúde de todos e conter o avanço dessa doença tão debilitante.

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