Em vez de proteger, acessório comprado nas ruas, sem certificação, causa danos à saúde

Após usar óculos com procedência comprovada, Marilza não teve mais dor de cabeça (Willians Menani)
Não importa a época ou estação do ano, os óculos escuros estão sempre lá a qualquer hora do dia. Com a forte intensidade solar registradas nos últimos tempos, as pessoas cada vez mais procuram se proteger e é aí que pode morar um perigo muito grande. Óculos de sol sem procedência comprovada pelos órgãos reguladores, como o Inmetro por exemplo, podem, ao invés de proteger, prejudicar a visão. O maior inimigo é a radiação ultravioleta (UVA e UVB).
Óculos comprados em lojas de importados populares, camelôs, ambulantes ou lojas sem procedência comprovada não possuem a devida proteção contra os raios ultravioletas, prejudiciais para a saúde ocular.
De acordo com o oftalmologista Américo Inada, o uso indiscriminado de óculos de sol sem procedência comprovada causa sérios danos à visão e para a saúde em geral. Dores de cabeça, cansaço nas vistas, cataratas, conjuntivite, ceratite e outros problemas na córnea são as principais doenças causadas pelo uso irregular do adorno.
O problema, segundo o oftalmologista, é que embora os óculos sejam escuros e aparentemente com fatores de proteção, muitos produtos enganam o consumidor e não possuem os itens essenciais de bloqueio solar. Com isso, os raios entram diretamente no fundo do olho e é ai que vem o perigo. Com a aparente proteção escura no rosto, as pupilas se dilatam e assim os raios entram com mais facilidade no fundo do olho.
Uma dica importante do oftalmologista é que qualquer pessoa que deseja adquirir um óculos de sol, procure uma loja autorizada para a venda para evitar problemas futuros. “Se uma pessoa compra um óculos barato hoje, desses adquiridos em barraquinhas, mais tarde ele se sentirá mal e terá que procurar um oftalmologista para tratamento da visão. Quem já adquire um produto com as especificações necessárias, não terá problemas de saúde e não precisará comprar o produto duas vezes”, finaliza.
Marilza Lopes sabe bem dos perigos causados pelas lentes ilegais. A dona de casa já possuiu vários óculos de sol comprados em barraquinhas de rua e após muita dor de cabeça deixou de usá-los. “Quando você usa um óculos falsificado, rapidinho sua visão está cansada e a dor de cabeça começa."
Temendo problemas futuros com a visão, Marilza optou em adquirir um óculos comprado em uma loja especializada, com nota fiscal, procedência e selo do Inmetro. "Agora eu posso ficar com esse óculos o dia todo que não me acontece nada e eu sei que estou bem protegida", destaca.
Mercado
Segundo a Abióptica, a Associação Brasileira de Indústria Ópticadestaca, só em 2012 foram vendidos quase 19 milhões e meio de peças com receita médica. Esse número é muito maior quando comparado aos óculos vendidos espontaneamente nas redes especializadas. Em 2007 o número de óculos com receitas médicas não chegou aos 11 milhões.
Ao mesmo passo que aumentam as vendas de óculos com proteção, também cresce o número de óculos de sol pirateados. Ainda segundo a Abióptica, só em 2011 foram retirados do mercado 19.051.083 óculos contrabandeados no Brasil. Esse número é incalculavelmente maior contabilizando todas as vendas clandestinas realizadas em todo país. Os dados foram obtidos por meio da Polícia Federal.