Coluna publicada na edição de 24/6/18 do Correio Popular
A Argentina sofre na Copa da Rússia por diversos motivos. O comando da AFA está perdido, a safra de defensores é uma das piores da história e o ambiente no vestiário é péssimo. São problemas graves, mas nenhum deles é tão prejudicial ao desempenho do time como Jorge Sampaoli. A Argentina vem trocando de treinadores com frequência e chegou à Copa do Mundo com Sampaoli, que, entre outras coisas, foi responsável por uma das piores contratações da história do Sevilla. Foi sob seu comando que o clube espanhol gastou 10 milhões de euros na contratação de Ganso, “reforço” que em inúmeras partidas não foi sequer relacionado para o banco. Mas isso é só um detalhe. Vamos aos conceitos de Sampaoli e ao futebol apresentado pela Argentina na Rússia. No início do ano, o técnico lançou o livro Mis latidos (As minhas batidas), no qual revela como vê o futebol. Basta ler alguns trechos da obra para entender como uma seleção forte e tradicional empatou com a Islândia e foi atropelada pela Croácia. “Eu não planejo nada. Tudo surge na minha cabeça quando tem que surgir. Brota naturalmente no momento oportuno. Odeio o planejamento”, revelou Sampaoli. É uma posição inacreditável no futebol atual, no qual informações sobre mínimos detalhes do adversário podem decidir uma partida. “Se eu planejo, me ponho no lugar de quem trabalha no escritório. Sou o mesmo de 1991. O futebol não se estuda: se vive e se sente. É estranho que tenham me colocado a etiqueta de uma pessoa que planeja”, revelou o treinador escolhido pela AFA para comandar a Argentina. Talvez seja por isso que a equipe (mal convocada, escalada e treinada) sofreu diante da Islândia, que tem um goleiro cineasta, um lateral que trabalha numa fábrica de sal e um técnico dentista. Sampaoli não tem comando sobre o elenco. Segundo a imprensa argentina, Messi e Mascherano mudaram o horário de um treino sem comunicá-lo. Aguero não esconde o desejo de derrubá-lo antes do jogo decisivo com a Nigéria. ''Talvez minhas conversas soem como a de uma pessoa super estudiosa. Nunca fui estudioso. Nem na escola, nem na faculdade, nem no curso de treinador. Eu não posso ler um livro. Viro duas páginas e já fico entediado. Escrevo três coisas em um papel e me canso”, narra Jorge Sampaoli. Se ele ainda estiver no cargo até terça-feira, não deixe de considerar essa estranha visão do futebol na hora de dar seu palpite para Argentina x Nigéria. Até para se dar bem em um bolão é preciso ter um mínimo de informações e planejamento. Para ganhar uma Copa do Mundo, então...