AVC é uma sigla de um termo genérico que significa acidente vascular cerebral. Pode ser decorrente de lesões cerebrais relacionadas a patologias que acometem artérias e veias. De forma geral, podemos dividir os AVCs em dois subtipos: o hemorrágico e o isquêmico. O AVC hemorrágico ficou popularmente conhecido como derrame, porque ocorre um extravasamento de sangue para o parênquima cerebral. No entanto esse termo não é reconhecido na terminologia médica. O isquêmico é o decorrente da obstrução de uma artéria, gerando um infarto na região irrigada por ela. No caso do AVC isquêmico, os principais sintomas são perda repentina da força muscular e da visão; dormência ou formigamento no rosto, braço ou perna; dificuldade para se comunicar e compreender (a fala fica arrastada, por exemplo); tontura e alteração da memória. No caso do AVC hemorrágico, o principal sintoma é dor de cabeça aguda e repentina. Mas há também aumento da pressão intracraniana com perda da consciência; náuseas e vômitos; e déficits neurológicos semelhantes aos provocados pelo acidente vascular isquêmico. Os fatores de riscos são praticamente os mesmos que provocam o infarto do coração: hipertensão arterial (pressão alta); colesterol elevado; fumo; diabetes; histórico familiar; ingestão de álcool; vida sedentária; excesso de peso; e estresse. Quando a pessoa sente uma forte dor de cabeça, diferente de tudo o que já sentiu, deve ir rapidamente para o hospital. O socorro tem de ser imediato. Quanto mais tempo leva para ser atendido, maior as chances de morte e sequelas. Por isso, o fator resgate é o que define a melhora ou piora desse paciente. Doenças cerebrais, quando aumentam de volume, aumentam também a pressão na cabeça. Como na cabeça temos o crânio, que é osso e inelástico, se um tumor crescer não tem como ele expandir. Ele começa a empurrar o cérebro. Se uma pessoa não tiver sintomas negativos em uma área eloquente (como controle do movimento, da sensibilidade, da visão e da fala), ela não perceberá que tem um tumor no cérebro. Muita gente tem tumor há anos e não sabe, pois não tem manifestação na área eloquente. Vive a vida sem perceber. De repente, a pessoa não consegue mexer a mão e com o exame, descobre a doença. O volume da cabeça determina se está tudo bem ou não. Muitos pacientes que parecem ter o mal de Alzheimer têm um tumor cerebral de crescimento lento. Como está numa região frontal, que atinge o comportamento, parece Alzheimer, mas não é. Nesses casos, vale a pena operar dependendo do perfil físico do paciente. Quem tem enxaqueca, deve atentar especialmente quando muda o padrão da dor: se sempre foi frontal e passa para a cabeça toda, de forma insuportável e não melhora com nada, então algo está acontecendo. A pessoa deve procurar urgentemente um hospital. Uma pergunta frequente dos pacientes é se o aneurisma cerebral é um AVC. O aneurisma é como um balão, uma bexiga de aniversário, que aparece numa artéria do cérebro. Cerca de 5% da população tem aneurisma cerebral, mas a maioria vai viver normalmente sem sequer saber de sua existência. Os sintomas só aparecem quando há rompimento dos vasos, gerando hemorragia cerebral, que é um AVC hemorrágico. A parede do aneurisma é mais frágil do que a parede do vaso normal e tem mais chance de romper. Por que se rompe? Por causa de fatores que aumentam agudamente a pressão arterial, como hipertensão, o fumo que potencializa em dez vezes a ruptura e o histórico da família também conta. Outra questão muito comum é se o uso de medicamentos como o Viagra aumenta a chance de AVC. É verdade. O efeito de medicamentos como esse é aumentar agudamente a pressão para que haja ereção. E é justamente esse aumento de pressão que leva ao rompimento do aneurisma ou ao infarto do miocárdio. Por isso, os homens que precisam tomar Viagra devem fazer angiotomografia e angiorressonância para saber se está tudo bem, se não têm um aneurisma, pois se souber antes não vão morrer no ato. A prevenção é tudo. O AVC de forma genérica pode ser prevenido com controle do tabagismo, da hipertensão, das dislipidemias (ou seja, alterações do metabolismo que geram aumento do colesterol total e do ruim, diminuição do colesterol bom e aumento das triglicérides) e com a realização de atividades esportivas. No entanto, doenças específicas como os aneurismas intracranianos devem ser pesquisados nos familiares de pacientes que tenham uma história da doença envolvendo parentes de primeiro grau.