ZEZA AMARAL

O jurígeno jumento

Zeza Amaral
26/07/2015 às 05:00.
Atualizado em 28/04/2022 às 17:30

Dilma Rousseff pode até comer panetone no Planalto, mas, ao que tudo indica, não vai brincar o carnaval em Brasília. Com apenas 7% de ótimo e bom, sua popularidade já está perdendo para a inflação de 8,5%. Cerca de 70% dos brasileiros a consideram ruim de governo e, tenho certeza, grande parte desses já amassaram panelas em suas varandas, quintais e puxadinhos.É muito triste um governante eleito democraticamente ser desnudo pela sua própria insignificância política e ideológica, esta, tão verdadeira como o ET de Varginha. Mesmo porque isso dá a dimensão direta de que a voz de Deus não é a voz do povo. Fosse o contrário, por exemplo, então teríamos a pena de morte, o aborto e o extermínio de judeus, ciganos e nordestinos. Mas a nossa Constituição é soberana e permite que erros eleitorais possam ser remediados com outras eleições, sem maiores traumas políticos.Eleitores são obrigados a votar e pronto. Meses atrás, deputados federais referendaram o voto obrigatório: votar é um dever de todos os brasileiros, segundo eles. E dane-se a liberdade do povo em não querer votar em políticos, como esses atuais deputados federais, que, sem respeitar a legislação constitucional, entraram em recesso sem antes votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias e proibindo até mesmo os debates durante esse recesso vergonhoso, o que é uma obrigação escrita na nossa Carta Magna. Ao pé da letra da lei: todos seriam empichados!Dillma Rousseff e Lulla da Sillva querem negociar com o PSDB uma aliança para evitar a cassação de ambos. Nos últimos treze anos o PT bateu na oposição brasileira como se esta fosse uma cadela sarnenta, uma lazarenta que deveria ser banida das praças e esquinas brasileiras. Fácil de entender: o PT tinha 70% de aprovação, voava em jatinhos de empresários sob céu de brigadeiro, até que a marolinha da crise internacional se revelou um tsunami de irresponsabilidades administrativas e políticas, sem contar os mensalões, petrolões e os lava jatos da vida. Hoje, com apenas 7% de aprovação Lulla da Sillva quer conversar com o PSDB, com o FHC, José Serra, Aécio Neves, exatamente com aqueles que acusou de quererem aumentar os juros, tirar direitos dos trabalhadores, exatamente o que Dillma fez ao ganhar a reeleição. Dillma e Lulla mentiram na última eleição e pretendem agora dividir a sopa amarga de seus discursos palanqueiros com seus opositores. Lulla já chamou Sarney, Quércia, Maluf, Renan Calheiros e Romero Jucá de “ladrões da pátria”, para, logo após ser eleito pela primeira vez, firmar acordo com todos eles.Lulla já era. E Dillma nunca foi. Fosse hoje a eleição presidencial e o Boca Mole petista seria derrotado por Aécio, Serra ou Alckmin, já no primeiro turno. Apenas dois de cada dez brasileiros aprovam o governo petista. Sou positivista: poderia dizer que oito de cada dez brasileiros consideram o governo petista mais por baixo do que umbigo de cobra.Entristece-me tal situação política. Foram tantos anos de acreditar que teríamos instituições republicanas para assegurar o bem-estar do cidadão brasileiro e eis que os Três Poderes estão apodrecidos constitucionalmente, como bem já nos vêm alertando os confrades judiciosos e jurisconsultos Manuel Carlos Cardoso e José Renato Nalini, aqui mesmo neste espaço. E jurígeno é o apedeuta Lulla da Sillva que inventa apoio político para não ser empichado moralmente, buscando argumentos espúrios dentro do jogo político, “o de que todos fazemos isso” e assim buscar acalmar a indignação dos contribuintes e eleitores brasileiros. E tudo isso é exasperante, para não dizer outra coisa que possa ofender a minha educação e a família do raro leitor.Bom dia.

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