O veículo vem “dançando” pela estrada lamacenta... e acaba caído no acostamento, entalado numa valeta. Seu condutor põe as mãos na cabeça: o que fazer sozinho, no meio daquele campo? Mas, eis que, do nada, surge um matuto à sua frente com aquela cara amiga.— O doutor precisa de alguma coisa?— É, preciso sim. Estou aqui num mato sem cachorro!— Olha, eu tenho uma parelha de burro ali. Se o senhor quiser...O homem, com cuidado, atrela o carro do “doutor” nos seus animais, arranca-o do buraco. Serviço feito.— Obrigado! Aqui está o seu pagamento. Quebrou o galho. Ah! Me fala uma coisa: o senhor passa o tempo todo ajudando quem passa por aqui?— Bem, só durante o dia. À noite, fico jogando uma aguinha aí na estrada.A piada não é das melhores, concordo. Mas oportuna para ilustrar um assunto importante: a segurança veicular. Certamente, o carro do “doutor” não estava equipado com ABS, um sistema informatizado que evitaria a derrapagem naquele piso escorregadio, quando suas rodas acabaram por travadas. Ele sairia bonito do lamaceiro.E nas colisões: hoje em dia, é muito comum, num bate papo entre amigos, ouvir-se que os carros de setenta, oitenta anos atrás é que eram fortes, a lata não amassava com qualquer batidinha.— Os de agora parecem feitos de matéria plástica!Realmente, os veículos motorizados das décadas de 30 ou 40 eram construídos com latarias mais resistentes, chapas grossas, lâminas dos para-choques de metal reforçado... Mas, numa “trombada” mais drástica, em geral, seus ocupantes saíam muito machucados... ou mortos. Num acidente de hoje, o veículo destrói-se facilmente, mas o habitáculo interno mantém-se intacto, preservando a vida do motorista e de seus passageiros.Essa é uma experiência que emana constantemente das pistas de Fórmula 1, verdadeiro laboratório de tecnologia automobilística que, a par de outros desenvolvimentos de ponta, tem contribuído, cada vez mais, para a segurança dos veículos em todo o mundo.Mas não é só para o ambiente glamourizado das Fórmulas que as indústrias automobilísticas e de autopeças destinam milhões de dólares, dentro de seus planejamentos orçamentários anuais: também empregam, nas linhas convencionais, grandes investimentos para o desenvolvimento de produtos e equipamentos que ofereçam, cada vez mais, segurança ao dirigir, tornando o carro, digamos , “inteligente”. É um benefício, tanto para seu condutor, como para os ocupantes do veículo.O automóvel, hoje, tem recursos tecnológicos para sair das linha de montagem com equipamentos e dispositivos de segurança importantes, como diversos air-bags, SRS (sistema de retenção suplementar ao cinto de segurança), sistema de tração e estabilidade eletrônica, monitoração da pressão dos pneus, Run Flat (rodagem do veículo com o pneu furado por até 150 quilômetros), K-pressure Optic (sinal vermelho na tampa da válvula do pneu quando detectada perda de sua pressão), Smart Router (mapa via satélite, integrando navegador GPS com telefone inteligente de viva voz e sistema de rastreamento), visão dianteira dentro da obscuridade e visão traseira nas manobras de ré. Certas características técnicas já são inerentes ao processo normal de fabricação.Os constantes crash-tests avaliam o impacto e a deformação do habitáculo nas colisões, e tests-drives de ABS e ESP observam a trajetória segura em situações de emergência. Até o Golf (VW), com poucas novidades no Brasil, vem agora com freio de estacionamento elétrico Auto-Hold, que segura o carro em aclives e luz de direção integrada aos retrovisores com rebatimento automático.As aeronaves modernas já trocam controles mecânicos por equipamentos eletrônicos. A mesma tecnologia inspirou grandes marcas a desenvolverem sistemas computadorizados de direção, como o Steer-by-wire da Nissan, tecnologia empregada em modelos de primeira linha. O que significa isso? É o fim da coluna e da barra de direção com conexões mecânicas entre o volante e o eixo dianteiro. Agora, três computadores dentro do motor fazem o serviço. Se falhar — raro acontecer — entra em ação o sistema mecânico.Mas uma verdade é clara: nada disso vale um tostão furado se, em alguns casos, “esquecermos” de ativar os recursos da eletrônica embarcada instalados no veículo. A situação piora muito se ainda nem tivermos esses recursos a ele agregados. Aí, como no caso do “doutor” da nossa história, o carro vai pro brejo mesmo!