
IG- Gustavo Mazzola (CEDOC)
O veículo vem “dançando” pela estrada lamacenta... e acaba caído no acostamento, entalado numa valeta. Seu condutor põe as mãos na cabeça: o que fazer sozinho, no meio daquele campo? Mas, eis que, do nada, surge um matuto à sua frente com aquela cara amiga. — O doutor precisa de alguma coisa? — É, preciso sim. Estou aqui num mato sem cachorro! — Olha, eu tenho uma parelha de burro ali. Se o senhor quiser... O homem, com cuidado, atrela o carro do “doutor” nos seus animais, arranca-o do buraco. Serviço feito. — Obrigado! Aqui está o seu pagamento. Quebrou o galho. Ah! Me fala uma coisa: o senhor passa o tempo todo ajudando quem passa por aqui? — Bem, só durante o dia. À noite, fico jogando uma aguinha aí na estrada. A piada não é das melhores, concordo. Mas oportuna para ilustrar um assunto importante: a segurança veicular. Certamente, o carro do “doutor” não estava equipado com ABS, um sistema informatizado que evitaria a derrapagem naquele piso escorregadio, quando suas rodas acabaram por travadas. Ele sairia bonito do lamaceiro. E nas colisões: hoje em dia, é muito comum, num bate papo entre amigos, ouvir-se que os carros de setenta, oitenta anos atrás é que eram fortes, a lata não amassava com qualquer batidinha. — Os de agora parecem feitos de matéria plástica! Realmente, os veículos motorizados das décadas de 30 ou 40 eram construídos com latarias mais resistentes, chapas grossas, lâminas dos para-choques de metal reforçado... Mas, numa “trombada” mais drástica, em geral, seus ocupantes saíam muito machucados... ou mortos. Num acidente de hoje, o veículo destrói-se facilmente, mas o habitáculo interno mantém-se intacto, preservando a vida do motorista e de seus passageiros. Essa é uma experiência que emana constantemente das pistas de Fórmula 1, verdadeiro laboratório de tecnologia automobilística que, a par de outros desenvolvimentos de ponta, tem contribuído, cada vez mais, para a segurança dos veículos em todo o mundo. Mas não é só para o ambiente glamourizado das Fórmulas que as indústrias automobilísticas e de autopeças destinam milhões de dólares, dentro de seus planejamentos orçamentários anuais: também empregam, nas linhas convencionais, grandes investimentos para o desenvolvimento de produtos e equipamentos que ofereçam, cada vez mais, segurança ao dirigir, tornando o carro, digamos , “inteligente”. É um benefício, tanto para seu condutor, como para os ocupantes do veículo. O automóvel, hoje, tem recursos tecnológicos para sair das linha de montagem com equipamentos e dispositivos de segurança importantes, como diversos air-bags, SRS (sistema de retenção suplementar ao cinto de segurança), sistema de tração e estabilidade eletrônica, monitoração da pressão dos pneus, Run Flat (rodagem do veículo com o pneu furado por até 150 quilômetros), K-pressure Optic (sinal vermelho na tampa da válvula do pneu quando detectada perda de sua pressão), Smart Router (mapa via satélite, integrando navegador GPS com telefone inteligente de viva voz e sistema de rastreamento), visão dianteira dentro da obscuridade e visão traseira nas manobras de ré. Certas características técnicas já são inerentes ao processo normal de fabricação. Os constantes crash-tests avaliam o impacto e a deformação do habitáculo nas colisões, e tests-drives de ABS e ESP observam a trajetória segura em situações de emergência. Até o Golf (VW), com poucas novidades no Brasil, vem agora com freio de estacionamento elétrico Auto-Hold, que segura o carro em aclives e luz de direção integrada aos retrovisores com rebatimento automático. As aeronaves modernas já trocam controles mecânicos por equipamentos eletrônicos. A mesma tecnologia inspirou grandes marcas a desenvolverem sistemas computadorizados de direção, como o Steer-by-wire da Nissan, tecnologia empregada em modelos de primeira linha. O que significa isso? É o fim da coluna e da barra de direção com conexões mecânicas entre o volante e o eixo dianteiro. Agora, três computadores dentro do motor fazem o serviço. Se falhar — raro acontecer — entra em ação o sistema mecânico. Mas uma verdade é clara: nada disso vale um tostão furado se, em alguns casos, “esquecermos” de ativar os recursos da eletrônica embarcada instalados no veículo. A situação piora muito se ainda nem tivermos esses recursos a ele agregados. Aí, como no caso do “doutor” da nossa história, o carro vai pro brejo mesmo!