
(Reprodução Internet)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, em postagem em rede social, na manhã deste sábado, que o espaço aéreo da Venezuela está fechado. "A todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas, por favor, considerem o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela como totalmente fechado", disse Trump.
A postagem vem em meio à crescente presença militar dos EUA no Caribe e no Pacífico, em operações que Washington afirma ter como foco o combate ao tráfico de drogas.
No início de novembro, os EUA enviaram ao Caribe o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, acompanhado de navios de guerra e aviões de combate, que segundo o governo, dará apoio para "desmantelar organizações criminosas transnacionais".
Na quinta-feira (27), as tensões no mar do Caribe se intensificaram após Trump afirmar que os esforços contra traficantes de drogas venezuelanos "por terra" começariam "muito em breve".
RESPOSTA
A Venezuela afirmou "repudiar com absoluta contundência" a publicação feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o espaço aéreo do país. Mais cedo neste sábado, Trump afirmou na Truth Social que o espaço "acima e ao redor da Venezuela" deveria ser considerado "totalmente fechado", em meio ao aumento da presença militar americana no Caribe.
No texto, enviado pelo ministro das Relações Exteriores, Yván Gil Pinto, via Telegram, Caracas afirma que as declarações de Trump representam "uma nova agressão extravagante, ilegal e injustificada" e que buscam afetar a soberania do espaço aéreo nacional, a integridade territorial e a segurança aeronáutica. O governo venezuelano acusa Washington de tentar impor "ilegítima jurisdição" sobre seu território e afirma que as palavras do presidente dos EUA revelam "pretensões colonialistas sobre nossa região da América Latina e do Caribe".
A Venezuela sustenta ainda que o anúncio americano viola princípios básicos do Direito Internacional e constitui "uma ameaça explícita de uso da força". O comunicado destaca que nenhum país tem autoridade para interferir no uso do espaço aéreo venezuelano. "A Venezuela não aceitará ordens, ameaças nem ingerências provenientes de nenhum poder estrangeiro."
Caracas também denuncia que os EUA suspenderam unilateralmente os voos de repatriação de migrantes venezuelanos, que vinham ocorrendo semanalmente. O governo diz que seguirá exercendo "soberania plena" sobre seu território e convoca a comunidade internacional a rejeitar o que chamou de ato "imoral" e contrário à paz regional.