INTERNACIONAL

Rivalidade tecnológica é pano de fundo da guerra comercial entre EUA e China

Por trás de sua guerra comercial, os Estados Unidos e a China lutam pelo domínio tecnológico. Enquanto os americanos estão decididos a manter sua vantagem sobre os chineses no setor, os asiáticos estão desesperados para passar à sua frente

AFP
10/05/2019 às 14:20.
Atualizado em 03/04/2022 às 22:29

Por trás de sua guerra comercial, os Estados Unidos e a China lutam pelo domínio tecnológico. Enquanto os americanos estão decididos a manter sua vantagem sobre os chineses no setor, os asiáticos estão desesperados para passar à sua frente.- DronesA empresa número um global de drones civis é chinesa. A DJI, fundada em 2006 em Shenzhen (sul) por um jovem apaixonado por modelismo, fabrica 70% dos drones civis do mundo. Não existe nenhum concorrente americano, após a empresa californiana GoPro deixar o setor. Em 2017, o Exército americano proibiu o uso de drones da DJI por motivos de segurança.- China sem GAFAAlguns especialistas estão preocupados com o risco de o mundo se dividir em dois, com uma "cortina de ferro tecnológica". Na China, os BATX (Baidu, Alibaba, Tencent e Xiaomi) se beneficiam da proibição de todas as redes sociais e motores de busca estrangeiros. Eles substituem os GAFA (Google, Apple, Facebook e Amazon) e têm ambições internacionais.As gigantes de pagamento com cartão de crédito (Visa, Mastercard, American Express) sofrem na China por uma legislação muito restrita, e ficam à margem de 'players' chineses (Alipay, WeChat e UnionPay), além da tendência de fazer pagamentos pelo smartphone.- Beidou x GPSNo setor de geolocalização, a China se afastou do GPS americano e criou seu próprio sistema de navegação via satélite, o Beidou (literalmente, "A Ursa Maior"). Como garantia de independência estratégica e econômica, ele se baseia em uma rede de cerca de 30 satélites e estará em pleno funcionamento no mundo todo a partir do ano que vem. Pequim conta com seu amplo projeto das Novas Rotas da Seda para convencer os países participantes a usarem sua tecnologia. - 'Made in China 2025'Autonomia no setor tecnológico e desenvolvimento de suas próprias habilidades. Este é o objetivo do ambicioso programa "Made in China 2025", que busca transformar a gigante asiática em uma potência das novas tecnologias: da indústria aeroespacial às telecomunicações, passando pela robótica, a biotecnologia e os veículos elétricos.Pequim mira na autossuficiência tecnológica de 70% dos componentes e materiais básicos até 2025. Este plano "aterrorizante" - nas palavras de Washington - dificultou as negociações comerciais entre China e EUA e fortaleceu a desconfiança mútua. - Huawei, líder da rede 5GWashington considera, há muito tempo, a gigante chinesa das telecomunicações uma ameaça, devido ao passado de seu fundador Ren Zhengfei, de 74 anos, ex-engenheiro do Exército chinês. Uma lei de 2017 exige que empresas chinesas cooperem com os serviços de inteligência do país.O governo dos EUA proibiu suas agências de comprarem equipamentos da Huawei, temendo que Pequim pudesse espionar suas comunicações e acessar infraestruturas cruciais do país. Os Estados Unidos também aumentaram a pressão sobre seus aliados para banir a Huawei de sua infraestrutura de redes. A diretora financeira do grupo, Meng Wanzhou, há muito tempo sinalizada como favorita para suceder seu pai à frente da Huawei, também é alvo de Washington, que a acusa de driblar sanções contra o Irã. Presa no Canadá em dezembro, Meng pode enfrentar a Justiça dos Estados Unidos em breve.- China Mobile descartadaOs Estados Unidos rejeitaram o pedido da China Mobile para entrar em seu mercado de telecomunicações porque consideram que seus laços com Pequim ameaçam a "segurança nacional" - uma decisão que reforça a importância estratégica das telecomunicações e da tecnologia no confronto entre as duas potências.- Corrida de patentesDe acordo com a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar há quatro décadas no número de patentes apresentadas internacionalmente, mas a China pode superá-los até 2020. Em 2017, a data dos últimos dados disponíveis, duas empresas chinesas dominaram o pódio mundial: a Huawei (4.024 pedidos) e a outra gigante de telecomunicações chinesa ZTE (2.965 patentes). A primeira empresa americana ficou em terceiro lugar: a Intel (2.637).sbr/bar/lth/pb/ra/ll/ccFacebookBAIDUINTELGOPROMASTERCARDTencentDJIAlibabaAMERICAN EXPRESSAMAZON.COMZTECHINA MOBILEVISAAPPLE INC.GOOGLEMADE

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