eleições

Professor diz que voto eletrônico é vulnerável

André Gradvohl indica o blockchain, banco de dados criptografado

Daniel de Camargo
21/07/2018 às 18:27.
Atualizado em 27/04/2022 às 13:28
As urnas eletrônicas estão em vigor há um quarto de século em todo o território brasileiro (Roberto Jayme/Ascom/TSE)

As urnas eletrônicas estão em vigor há um quarto de século em todo o território brasileiro (Roberto Jayme/Ascom/TSE)

O voto eletrônico, segundo André Gradvohl, professor de tecnologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), possui vulnerabilidades. Para o especialista, que também é membro sênior do Instituto de Engenheiros, Eletricistas e Eletrônicos (IEEE), a maior organização mundial técnico-profissional dedicada a avanços tecnológicos para benefício da humanidade, “não há sistema computacional totalmente seguro”. Em sua opinião, a solução para tornar o processo mais confiável do ponto de vista tecnológico seria a adoção do blockchain — um banco de dados criptografado, tecnologia que visa a descentralização como medida de segurança. Gradvohl destaca que existem pormenores a serem observados. O docente entende que não são asseguradas propriedades de verificabilidade individual e universal. Ele se refere, respectivamente, “à possibilidade do eleitor averiguar se o seu voto foi contabilizado e se o resultado da eleição considerou todos”. A implementação desses domínios, “evitaria que alguns partidos políticos constestassem o resultado”, analisa. O processo atual já utiliza a criptografia — conjunto de técnicas pensadas para proteger uma informação. Contudo, Gradvohl entende que o blockchain proporcionaria “uma grande evolução tecnológica no sistema”. O docente explica, entretanto, que está possibilidade ainda precisa “amadurecer”. “Há poucas aplicações reais em sistemas de votação e ainda assim são em pequena escala. A questão é que, no momento, não se sabe ao certo se essa tecnologia funcionaria bem em processos eleitorais de larga escala, como o que ocorre no Brasil”, afirma. Para isso, é necessário realizar uma série de adaptações no modelo atual, promovendo inúmeros testes, para que então ocorra sua efetivação completa. Há menos de três meses das eleições, que irão definir o novo presidente da República, além de governadores, senadores, deputados federais e estaduais, Gradvohl frisa que a criptografia foi aprimorada na última versão das urnas eletrônicas. “Antes havia apenas uma chave criptográfica em todas as urnas. Atualmente, essa chave é gerada por um dispositivo específico (hardware) em cada urna”, explica. Gradvhol alerta ainda ao fato de que há poucas equipes com acesso aos detalhes do software e da urna em si, o que limita a quantidade de pessoas que podem pesquisar o código-fonte. Para ele, deveria haver um fórum permanente para avaliar o sistema de forma contínua e mais ampla, a fim de encontrar falhas. Questionado sobre os recursos que precisariam ser destinados para realizar os aperfeiçoamentos necessários, o perito esclareceu que “as melhorias de segurança no sistema de votação exigem investimento constante”. “É difícil mensurar um aporte, em um primeiro momento. Porém, é certo que, em um país com dimensões continentais, esse valor seria em milhões de reais”, encerra.

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