
(Fabio Rodrigues-Pozzeborn/Agência Brasil)
Na manhã desta segunda-feira (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com ministros de Estado para discutir as emergências climáticas e os incêndios florestais que atingem cerca de 60% do país.
Em uma publicação nas redes sociais, o presidente informou que o governo federal está trabalhando em conjunto com o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal para combater as chamas e anunciou uma reunião com a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. “A PF [Polícia Federal] tem hoje 52 inquéritos abertos contra os responsáveis por esses crimes. O Ministério da Saúde tem dado orientações para nos protegermos da fumaça, e amanhã [segunda-feira] irei me reunir com a ministra Marina Silva e o núcleo de governo para discutirmos mais ações para lidarmos com essa emergência climática”, escreveu.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, retornou à sede da Pasta no final da manhã, pouco após a reunião no Palácio do Planalto. Haddad falou brevemente com a imprensa, informando que a Casa Civil se pronunciaria sobre o encontro, que teve início às 9h30 de hoje. “Vou ter que atender a um pedido do presidente”, limitou-se a dizer, ao entrar no edifício do ministério.
Além de Haddad, a reunião incluiu o vice-presidente Geraldo Alckmin; os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça), Jorge Messias (AGU); Rui Costa (Casa Civil), Marina Silva (Meio Ambiente), Márcio Macêdo (Secretaria-Geral), Paulo Pimenta (Secom); líderes do governo no Congresso; e representantes do Ibama, do ICMBio e do Ministério da Saúde.
AÇÃO HUMANA
A Polícia Federal aponta que há indícios de que parte dos incêndios florestais no país pode ter ocorrido por meio de ações coordenadas, com a propagação de incêndios simultâneos. A hipótese de ação humana em parte das queimadas que assolam o país também já foi levantada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que determinou medidas para o enfrentamento aos incêndios na Amazônia e no Pantanal.
Flávio Dino também autorizou a União a emitir créditos extraordinários fora dos limites fiscais para o combate às chamas. Com a medida, até o fim do ano o governo federal terá à disposição um orçamento de emergência climática para enfrentar os incêndios florestais e poderá enviar ao Congresso Nacional medida provisória apenas com o valor do crédito a ser destinado a este fim.
O uso do fogo para práticas agrícolas no Pantanal e na maior parte da Amazônia está proibido e é crime, com pena de 2 a 4 anos de prisão.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, associados a essa prática e a outras ações criminosas coordenadas, os incêndios florestais no Brasil e em outros países da América do Sul são intensificados pela mudança do clima, que causa estiagens prolongadas em biomas como o Pantanal e Amazônia. Este ano, 58% do território nacional foi afetado pela seca. Em cerca de um terço do país, o cenário é de seca severa.
Em declaração no sábado (14), a ministra Marina Silva afirmou que o Brasil vive um terrorismo climático, com pessoas usando as altas temperaturas e a baixa umidade para atear fogo, prejudicando a saúde das pessoas, a biodiversidade e destruindo as florestas.
SAÚDE PÚBLICA
Além das consequências para o meio ambiente, o grande volume de queimadas no país tem pressionado o sistema de saúde e causa preocupação, principalmente quando envolve idosos e crianças com problemas respiratórios. Por causa dos incêndios, cidades em diversas partes do país foram atingidas por nuvens de fumaça, o que prejudica a qualidade do ar.
As orientações à população nessas regiões são evitar, ao máximo, a exposição ao ar livre e a prática de atividades físicas, não ficar próximo dos focos de queimadas e aumentar a ingestão de água. A recomendação é procurar atendimento médico em caso de náuseas, vômitos, febres, falta de ar, tontura, confusão mental ou dores intensas de cabeça, no peito ou abdômen.
A Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) vai ampliar a atuação nos estados e municípios afetados pelas queimadas.A partir desta segunda-feira, serão realizadas visitas de equipes nos estados do Acre, Amazonas e Rondônia. A mobilização é uma demanda do Ministério da Saúde e tem como objetivo avaliar a situação e apoiar gestores estaduais e municipais.
*Matéria com trechos do Estadão Conteúdo e Agência Brasil