MORTE

Membros da Irmandade Muçulmana são condenados

Grupo é acusado de ter estabelecido um "centro de operações" com o objetivo de "preparar ataques contra o Estado"

Da France Press
16/03/2015 às 20:13.
Atualizado em 23/04/2022 às 17:46
Condenação à morte incluiu o guia supremo da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, de 71 anos  (AFP)

Condenação à morte incluiu o guia supremo da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, de 71 anos (AFP)

Tribunais egípcios condenaram à morte, nesta segunda-feira (16), 22 dirigentes da Irmandade Muçulmana, incluindo seu guia supremo, Mohamed Badie, de 71 anos - informaram veículos da imprensa oficial e advogados da defesa.Em um primeiro caso, 14 membros da Irmandade, declarada organização terrorista desde 2013 pelas autoridades, foram condenados à pena capital acusados de "planejamento do uso da força contra o Estado", segundo as fontes.O tribunal de Gizé, ao sudoeste de Cairo, presidido pelo juiz Mohamed Naji Shehata, decidiu submeter esse julgamento ao grande mufti do Egito, conforme exigido por lei, de acordo com a agência de notícias oficial Mena.A opinião dessa autoridade religiosa é solicitada sempre que uma sentença de morte é pronunciada, mas não é obrigatória para a Justiça.   Entre os réus nesse mesmo processo, estão o ex-porta-voz da Irmandade Mahmud Ghozlan, o assessor Khairat el-Shater, o ex-presidente do Parlamento Saad al-Katatni e outros quadros de alto escalão da confraria.No total, 51 pessoas são julgadas nesse caso e, destas, 31 estão detidas. O grupo é acusado de ter estabelecido um "centro de operações" com o objetivo de "preparar ataques contra o Estado".Ahmad Helmi, um dos advogados da defesa, ironizou o julgamento, classificando-o como uma "farsa".Em um segundo caso, oito militantes da confraria foram condenados à morte por um tribunal de Al-Mansurah, no norte do Cairo, por "formação de células terroristas".Badie já foi condenado à morte em outro julgamento por violência, mas está sendo julgado novamente no mesmo processo. Ele também foi quatro vezes condenado à prisão perpétua em outros julgamentos.   Desde que o ex-chefe do Exército e atual presidente Abdel Fattah al-Sissi depôs e prendeu o então presidente islamita Mohamed Mursi, em 3 de julho de 2013, as autoridades lançaram uma sangrenta repressão contra seus partidários. Pelo menos 1.400 pessoas foram mortas desde então.O regime é acusado de instrumentalizar a Justiça em sua repressão. Centenas de partidários de Mursi foram condenados à morte em julgamentos em massa expedidos em poucos minutos, enquanto outros 15 mil foram presos.Pela primeira vez, o Egito enforcou um partidário de Mursi, em 7 de março, condenado por violência em Alexandria, no norte do país.

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