REFORÇO

EUA estacionam armamento pesado em vizinhos da Rússia

Armas pesadas americanas serão posicionadas pela primeira vez nestes países que aderiram à Otan e que, antes da queda do muro de Berlim, pertenciam à esfera de influência da União Soviética

France Press
correiopontocom@rac.com.br
24/06/2015 às 10:29.
Atualizado em 28/04/2022 às 15:42

Armamento pesado norte-americano será posicionado em países vizinhos à Rússia (France Press)

Os Estados Unidos posicionarão temporariamente armamento pesado em países da Europa Central e Oriental a fim de reforçar o flanco leste da Otan, declarou nesta terça-feira (23), em Tallin, o secretário americano de Defesa, Ashton Carter."Vamos estacionar temporariamente armamento para uma brigada, incluindo veículos de combates e equipamentos associados, nos países do leste e centro europeu", indicou Carter durante uma coletiva de imprensa."A Estônia, como a Lituânia, Letônia, Bulgária, Romênia e Polônia concordaram e acolher o material (...) que se moverá pela região para realizar treinamentos e exercícios", afirmou Carter.Desta forma, armas pesadas americanas serão posicionadas pela primeira vez nestes países que aderiram à Otan e que, antes da queda do muro de Berlim, pertenciam à esfera de influência da União Soviética.Segundo o Pentágono, o armamento inclui 90 tanques pesados Abrams, 140 blindados de transporte de tropas Bradley e 20 canhões autopropulsados."Não queremos a guerra fria e muito menos a guerra quente com a Rússia, mas vamos defender nossos aliados", declarou Carter.Em Bruxelas, o embaixador dos Estados Unidos junto à Otan, Douglas Lute, destacou que trata-se de blindados sem tripulação, que os soldados locais poderão utilizar para seus exercícios.Segundo o diplomata, "esta decisão respeita totalmente os compromissos da Otan" com a Rússia e "não deve suscitar qualquer reação hostil de alguém".O anúncio coincide com o recrudescimento do conflito entre as forças ucranianas e os separatistas pró-russos, que já deixou 6.400 mortos desde abril de 2014.Os chefes da diplomacia russa, ucraniana, francesa e alemã reunidos na noite desta terça-feira, em Paris, pediram uma "desescalada rápida" e um "cessar-fogo imediato" no leste da Ucrânia, e defenderam um "cumprimento total" dos acordos de paz de Minsk.A reunião ocorreu um dia após a prorrogação, até janeiro de 2016, das sanções impostas pela União Europeia à Rússia por seu suposto envolvimento no conflito ucraniano.Os países bálticos reclamavam a presença permanente de tropas da Otan em seu território principalmente após a anexação da península ucraniana da Crimeia e os combates no leste da Ucrânia, onde separatistas pró-russos contestam a autoridade de Kiev.De acordo com o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, em visita na semana passada na Polônia para assistir a um exercício da nova força de reação rápida da Aliança, a Otan tem mobilizado o maior esforço de defesa desde o final da Guerra Fria, devido a novas ameaças, como o grupo Estado Islâmico e o comportamento da Rússia na Ucrânia.O projeto americano de implantar armas pesadas no leste e centro europeu já provocou a ira do presidente russo, Vladimir Putin, que em resposta anunciou o reforço do seu arsenal nuclear com a implantação de mais de 40 novos mísseis intercontinentais até o final do ano.Depois de Tallinn, Carter viajará a Bruxelas para a reunião dos ministros da Defesa da Otan na quarta e quinta-feira, antes de uma parada na Alemanha na sexta-feira para participar de manobras envolvendo 12 países europeus.

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