POLÍTICA

Escritório ligado a Ibaneis recebe R$ 25 milhões da J&F, aponta Coaf

Transferências consideradas “atípicas” ocorreram em 2025, após medidas do governo do DF envolvendo crédito consignado e parceria com banco digital do grupo

Do Correio.com
21/03/2026 às 20:00.
Atualizado em 21/03/2026 às 20:21

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O escritório de advocacia ligado ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), recebeu cerca de R$ 25 milhões da J&F em dez transferências realizadas entre fevereiro e outubro de 2025, segundo informações obtidas pelo Estadão com base em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). As movimentações foram classificadas como “atípicas” pelo órgão.

De acordo com a reportagem, os repasses ocorreram meses após o governo do Distrito Federal adotar medidas relacionadas ao crédito consignado para servidores públicos. Em agosto de 2024, Ibaneis assinou um decreto autorizando a celebração de convênios para operações desse tipo. No mês seguinte, foi firmada uma parceria com o PicPay, empresa do grupo J&F, para oferecer antecipação salarial a cerca de 200 mil servidores distritais.

As transferências ao escritório ocorreram já durante o mandato do governador. Apesar disso, a defesa afirma que Ibaneis está afastado da atuação na banca desde que assumiu o cargo, embora permaneça como sócio e tenha direito à participação nos lucros. A administração formal do escritório está sob responsabilidade de terceiros, segundo os advogados.

Em nota, o escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria afirmou que “prestou e presta serviços advocatícios” ao grupo J&F em diversas ações judiciais, sem detalhar especificamente os pagamentos citados. A banca também declarou que repudia tentativas de “criminalizar a advocacia”.

A J&F, por sua vez, informou que todos os valores pagos correspondem a serviços efetivamente prestados, com emissão de notas fiscais e recolhimento de tributos.

O PicPay negou qualquer relação entre os pagamentos feitos ao escritório e a parceria firmada com o governo do Distrito Federal. Ainda assim, o acordo com o DF foi posteriormente utilizado como referência pela empresa em tratativas com o governo federal para expansão de serviços semelhantes.

O caso ocorre em meio a investigações sobre operações envolvendo crédito consignado e descontos aplicados a beneficiários, que estão no radar da Polícia Federal e de comissões parlamentares. Até o momento, não há comprovação de irregularidades nas transações, que seguem sob análise dos órgãos de controle.

*Com informações do Estadão

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