
(Paulo Pinto/Agência Brasil / Daniel DeLoach/Utica Observer-Dispatch)
Um ciclone em formação no Sudeste do Brasil deve provocar grandes volumes de chuva a partir desta sexta-feira (30), segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O sistema deve se formar no litoral da região e favorecer temporais nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais.
A previsão indica que os acumulados de chuva podem ultrapassar 100 milímetros em áreas da Serra da Mantiqueira, enquanto no litoral paulista os volumes podem superar 60 milímetros. Em São Paulo, há risco de tempestades com queda de granizo, rajadas de vento, descargas elétricas e alagamentos pontuais. O ciclone pode continuar atuando até o início da próxima semana, mantendo o tempo instável e contribuindo para a formação de um canal de umidade entre o Espírito Santo e Mato Grosso.
Ao mesmo tempo, um outro tipo de ciclone chama a atenção nos Estados Unidos: o chamado nor’easter bomb cyclone, fenômeno típico da costa leste da América do Norte. Apesar do nome semelhante, trata-se de um sistema meteorológico diferente do observado no Brasil.
O nor’easter bomb cyclone é um sistema de baixa pressão que se forma no Oceano Atlântico, ao longo da costa leste dos EUA, especialmente entre os estados da Geórgia e Nova Jersey. O nome vem da direção dos ventos mais intensos, que sopram do nordeste em direção ao continente. Segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA (NWS), cidades como Boston, Nova York, Filadélfia e Washington estão entre as mais vulneráveis, devido à proximidade com o litoral.
Esses sistemas são mais comuns entre setembro e abril, quando a corrente de jato está mais intensa, mas podem ocorrer em qualquer época do ano. Entre os principais impactos estão ventos fortes, chuva intensa, neve, mar agitado e, em alguns casos, alagamentos costeiros.
A formação do nor’easter bomb cyclone ocorre quando uma ondulação da corrente de jato transporta ar frio do Canadá em direção ao Atlântico, onde encontra águas mais quentes. Esse contraste térmico favorece o desenvolvimento de um sistema de baixa pressão, que ganha força à medida que avança para o nordeste, em direção à Nova Inglaterra e ao Canadá.
Existem dois tipos principais de nor’easter bomb cyclone: o Miller Tipo A, que se forma no Golfo do México ou no sudoeste do Atlântico e avança pela costa, e o Miller Tipo B, que se origina no interior dos Estados Unidos, se desloca para leste e se reorganiza próximo à costa, podendo provocar tempestades mais intensas, com ventos equivalentes aos de furacões, nevascas severas e forte erosão costeira.
Especialistas alertam que, embora os dois sistemas sejam chamados de ciclones, os impactos variam conforme a região, a estação do ano e as condições atmosféricas locais. No Brasil, o principal risco está associado a volumes elevados de chuva e transtornos urbanos. Já nos Estados Unidos, o nor’easter bomb cyclone pode provocar desde chuvas intensas até grandes tempestades de neve, dependendo da temperatura.
*Com agências internacionais.
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