
Esse é o menor índice de nascimentos desde 1976, segundo levantamento de registros civis do IBGE (Marcello Casal/Agência Brasil)
Pelo quinto ano consecutivo, o Brasil registrou queda no número de nascimentos - é o menor índice desde 1976, segundo levantamento de registros civis do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados mostram ainda que, depois de ligeiro aumento após a pandemia de covid-19, o número de casamentos voltou a cair no Brasil, tendência que vinha sendo registrada desde 2016. O fenômeno é associado a mudanças de costumes e independência das mulheres.
A queda nos nascimentos segue a tendência de envelhecimento do País e de perda dos efeitos do bônus demográfico, o que diminui a fatia da população em idade para trabalhar. Esse fenômeno eleva a demanda de gastos com saúde, assistência social e aposentadorias.
Em 2023, segundo o trabalho, foram feitos 2,5 milhões de registros de nascimentos em cartórios do Brasil - recuo de 0,7% ante o ano anterior. Além da tendência estrutural de queda da natalidade, sinalizada nos últimos censos, o cenário também foi influenciado pela pandemia da covid-19.
Com o fim da crise sanitária, muitos casais adiaram o plano de ter filhos e houve pequena recuperação da demanda reprimida. Agora, porém, demógrafos acreditam que o total de nascimentos seguirá em declínio, tendência que se acentuará ao longo do século. Entre 2022 e 2023, os nascimentos recuam em todas as regiões, exceto o Centro-Oeste (alta de 1,1%). Entre as unidades da federação, 18 viram queda, com destaque para Rondônia (-3,7%), Amapá (-2,7%), Rio (-2,2%), Bahia (-1,8%) e São Paulo (-1,7%). Tocantins (3,4%) e Goiás (2,8%) estão entre os nove Estados com aumento.
Além da taxa de fecundidade abaixo do nível de reposição (dois filhos - um para o pai e outro para a mãe), também recua o total de mulheres em fase reprodutiva. O levantamento mostra que, entre 2003 e 2023, aumentou a porcentagem de mães no grupo etário de 30 a 34 anos (de 14,6% para 21%) e de 35 a 39 anos (7,2% para 13,7%), indicando tendência de envelhecimento no padrão reprodutivo. Por outro lado, no mesmo período, há redução expressiva de adolescentes (menos de 19 anos) que se tornam mães (de 20,9% para 11,8%), embora a gravidez precoce seja um problema em regiões mais pobres do País.
Conforme cálculos anteriores do próprio IBGE, a população terá seu ápice em 2041 - serão 220 milhões. Depois, ela começa a diminuir, atingindo 199 milhões até 2070. Significa dizer que, em menos de duas décadas, o Brasil já terá crescimento negativo; ou seja, o número de mortes será maior que o de nascimentos e a população terá envelhecimento mais acelerado.
Isso evidencia a tendência do fim do bônus demográfico (quando a proporção de jovens, a população economicamente ativa, é maior do que a de idosos e crianças, elevando a chance de o País elevar o seu Produto Interno Bruto, o PIB). O período de bônus demográfico começou há cerca de 50 anos e começa a perder seus efeitos antes mesmo de 2030, quando a maior parcela da população já será de idosos.
O problema é que, embora mais velho, o Brasil não conseguiu deixar de ser um país de renda média. Segundo especialistas, o bônus demográfico aumenta a disponibilidade de mão de obra, mas sem avanços educacionais consistentes, a qualidade e a produtividade ficam prejudicadas. Além da pressão sobre as despesas públicas, o envelhecimento da população contribui para maiores gastos das famílias. Entre as demandas, estão cuidadores de idosos e remédios.
CASAMENTOS
Segundo o mesmo levantamento, foram registrados no Brasil 940 mil registros de casamentos civis em 2023, o que representa redução de 3% em relação ao ano anterior. Desse total, 11 mil uniões foram entre pessoas do mesmo sexo. Desde 2016, segundo o levantamento, o número total de registros de casamento vem apresentando tendência de queda. Houve, contudo, decréscimo ainda mais expressivo entre 2019 e 2020. A redução importante nesse período foi atribuída aos efeitos da pandemia.
Entre 2020 e 2021, o número de casamentos aumentou, dando indícios de que as cerimônias matrimoniais voltaram a acontecer, em razão das campanhas de vacinação e da flexibilização das medidas sanitárias. De 2021 a 2022, o número de casamentos também cresceu, mas ainda continuou abaixo da média de uniões registradas antes da pandemia. Em 2023, porém, voltou a cair.
‘As unidades da federação com a maior taxa de nupcialidade legal (número de casamentos por mil habitantes) são Rondônia (9,1), Acre (8,5) e Distrito Federal (7,9), enquanto a média do Brasil é de 5,6. As taxas mais baixas estão em Rio Grande do Sul (3,9), Sergipe (3,8) e Piauí (3,7).
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