Publicado 02 de Outubro de 2021 - 19h00

Por De São Paulo

No Rio de Janeiro, manifestantes se reuniram na Candelária, no Centro, e percorreram avenidas

Wilton Júnior/Estadão Conteúdo

No Rio de Janeiro, manifestantes se reuniram na Candelária, no Centro, e percorreram avenidas

Articulados por nove partidos — PT, PSOL, PCdoB, PDT, PSB, Rede, PV, Cidadania e Solidariedade —, novos protestos contra o presidente Jair Bolsonaro ocorreram ontem em em centenas de cidades do País. Os manifestantes foram às ruas três semanas após os atos pelo impeachment de Bolsonaro convocados pelos grupos de centro-direita Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua e Livres, que tiveram baixa adesão.

Os protestos destesábado (2), vinculados originalmente às legendas de esquerda, buscam ampliar a participação dos setores de oposição. O principal foco das manifestações passou a ser a crise econômica e a disparada da inflação e o desemprego. Críticas ao negacionismo em relação à pandemia de covid-19 e os ataques de Bolsonaro à democracia fomentaram os atos de rua contra o governo ao longo deste ano.

As manifestações têm por objetivo pressionar o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira(Progressistas-AL), aliado do Palácio do Planalto, a apreciar algum dos 131 pedidos de impeachment que já foram apresentados na Casa.

Segundo os organizadores, estavam previstas manifestações em 305 cidades de todos os Estados e do Distrito Federal.

Em geral, os gritos dos manifestantes foram contrários ao aumento no preço dos combustíveis, dos alimentos e do gás de cozinha, destacando a fome e a alta da inflação. Muitos dos presentes homenagearam as vítimas da covid-19.

Lideranças dos partidos que organizam os atos incentivaram a uso da hashtag #2OutForaBolsonaro. Um dos maiores protestos ocorreu no Rio de Janeiro. Logo pela manhã, manifestantes se reuniram na Candelária, no Centro. Além de pedir o impeachment do presidente, o ato também foi contra privatizações e a política econômica do governo.

Em São Paulo, o palco principal da manifestação na Avenida Paulista incluiu o trio elétrico Demolidor, de 24 metros de comprimento, conhecido de foliões nos carnavais em Salvador e São Paulo, e outros dois trios elétricos menores, cujos valores foram custeados por uma "vaquinha" via Pix entre as entidades organizadoras. Estiveram presentes Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT) e Guilherme Boulos (PSOL), que disputaram as eleições presidenciais de 2018. Deles, apenas Ciro deverá disputar a Presidência novamente em 2022. Balões infláveis no formato de botijões foram levados ao ato como crítica ao alto preço do gás de cozinha.

Em Maceió (AL), os manifestantes pediram "mais Paulo Freire", se concentrando na praça do Centenário, no bairro do Farol, e depois, seguindo em direção às ruas do Centro.

Ao criticar o governo, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) destacou a fome. "Mercado vendendo carcaça de frango e ossos de boi na promoção. Arroz e feijão fragmentado sendo vendidos. Alimentos que antes viravam ração hoje servem de alimento para a população", afirmou.

Em Salvador, os manifestantes também protestaram em defesa dos empregos, da saúde pública, da educação, pediram melhorias no serviço público e mais vacinas. Eles reivindicaram o aumento do valor do auxílio emergencial.

O Partido dos Trabalhadores (PT) convocou manifestantes pelo Twitter. "Por um país onde as crianças tenham livros nas mãos e não sejam constrangidas pelo presidente a carregarem armas!".

O Partido Socialista Brasileiro (PSB), convocou o povo, recomendando o uso de máscaras apropriadas e constante álcool em gel. "Hoje é dia de ocupar as ruas pela democracia. O PSB estará presente no grande ato pelo impeachment de Bolsonaro!", diz o tuíte.

Em cidades fora do Brasil, houve protestos em Freiburg, na Alemanha, Madri, na Espanha, e Paris, na França.

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