Publicado 09 de Setembro de 2021 - 9h48

Por Estadão Conteúdo

As ações da Petrobras caíram cerca de 5% e as da Eletrobras, 9%

Petrobras

As ações da Petrobras caíram cerca de 5% e as da Eletrobras, 9%

Os ativos domésticos tiveram um pregão negativo ontem, refletindo o aumento da percepção de risco institucional no País, após os atos políticos promovidos pelo presidente Jair Bolsonaro no7 de Setembro.

Hoje, o principal índice da Bolsa brasileira (B3) fechou em forte queda de 3,78%, aos 113.412,84 pontos, no menor nível desde março.Já no câmbio, o dólar registrou ganho de 2,89%, encerrando na máxima do dia, a R$ 5,3261.

Passado o discurso do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), no início da tarde, que teve efeito pontual sobre os negócios, as atenções se voltaram ao pronunciamento de Luiz Fux, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a fala do ministro, o Ibovespa, que recuava em torno de 2%, acelerou o movimento de perda e passou a cair 3,13%.

Em mais um desdobramento do 7 de Setembro, o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), entidade que reúne associações de caminhoneiros, entrou com uma ação civil pública na 20ª Vara Federal Cível do Distrito Federal contra a União, o presidente Bolsonaro e seus apoiadores na esteira das manifestações de terça-feira. A investida tem apoio da Frente Parlamentar dos Caminhoneiros e Celetistas.O CNTRC argumenta que a base bolsonarista usou a categoria para angariar apoio político aos atos pró-governo. A entidade pede indenização de R$ 50 milhões por danos patrimoniais, extrapatrimoniais e morais coletivos.

Na seara fiscal, as recentes investidas do governo para alterar regras e acomodar gastos às vésperas da eleição têm ampliado a desconfiança de economistas e integrantes do mercado financeiro em relação à condução da política fiscal do País. Dentro da própria área econômica há a percepção de que algumas das propostas apresentadas têm fragilidades. Fora do governo, técnicos que acompanham o Orçamento observam com preocupação a “escalada criativa” de manobras e veem a repetição do filme visto no governo Dilma Rousseff (PT), quando o excesso de artifícios fiscais colocou em descrédito a sustentabilidade das contas do País.

Ações em queda

A queda é praticamente generalizada entre as ações na B3, com os investidores buscando posições defensivas diante dos temores de que a crise traga mais efeitos econômicos adversos para o País. "Qualquer ação que seja dependente de votação ou de algum acordo entre Câmara, Senado e presidência sofre quedas maiores, devido a risco de prejudicar o processo de privatização. Há maior expectativa de volatilidade no mercado", afirmaJulia Monteiro, analista da MyCap. As ações de Petrobras caíram cerca de 5% e as da Eletrobras, 9%.

As ações de empresas varejistas recuam em bloco. O setor é afetado pela perspectiva de alta nas taxas de juros, com perspectiva de alta de inflação e desemprego. "Seguem os ruídos políticos, discursos dos chefes de Poderes e, com isso, elevou o estresse dos juros futuros (DIs) mais uma vez, juntamente com o dólar ganhando valor frente ao real", aponta Bruno Madruga, head de renda variável da Monte Bravo.

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