Publicado 05 de Setembro de 2021 - 15h18

Por Estadão Conteúdo

Pesquisa aponta que 71% das pessoas avaliam negativamente a atuação de Bolsonaro sobre meio ambiente

Bruno Kelly

Pesquisa aponta que 71% das pessoas avaliam negativamente a atuação de Bolsonaro sobre meio ambiente

Emprego, saúde, educação, segurança e meio ambiente. O futuro da Amazônia e a preocupação com os índices crescentes de desmatamento deixaram de ser um tema menor para grande parte do eleitorado. A proteção da maior floresta tropical do mundo pode não ter a mesma urgência para o cidadão diante de sua necessidade de arrumar um emprego, por exemplo, mas o fato é que a questão ambiental ganhou um peso que nunca teve na hora decidir o voto.

A relevância da Amazônia para o eleitor brasileiro foi captada por uma pesquisa encomendada pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) e realizada pelo PoderData, entre os dias 21 e 23 de agosto, com 2,5 mil entrevistas em todo o País. O resultado desse levantamento aponta que os cuidados com a floresta vão pautar milhares de votos à presidência em 2022, bem como ao Congresso Nacional.

Para 80% dos brasileiros, a proteção da Amazônia, bioma que tem seu dia comemorado hoje, deve ser uma prioridade para os candidatos à presidência da República em 2022. De cada 100 entrevistas, 71 fizeram uma avaliação negativa do presidente Jair Bolsonaro sobre o assunto e declararam que o chefe do Executivo não está trabalhando bem para proteger a Amazônia. Esse número sobre para 87 quando se trata do Congresso Nacional.

“É inegável que há uma preocupação crescente com a temática ambiental e isso demonstra que nenhum candidato poderá ignorar isso. É claro que, para o eleitor, o impacto do desempenho econômico, as oportunidades de trabalho e a capacidade de consumo são temas mais concretos e palpáveis, mas a agenda ambiental também passou a ser incorporada pela perspectiva econômica”, diz a cientista política Magna Inácio, professora do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).“Sem a floresta não há chuvas, por exemplo, e isso mexe com a produção. Todos sentem o impacto.”

Os dados apontam que, para 58% dos entrevistados, um candidato à presidência da República tem mais chances de atrair votos se apresentar um plano específico para a proteção da Amazônia. A maior parte da população também avalia que a proteção ambiental não é um obstáculo para o desenvolvimento, mas uma pré-condição para que ele ocorra. De cada 10 pessoas, 7 concordam que o desenvolvimento do Brasil depende da proteção da Amazônia. Apenas 1 em cada dez declarou que, para o País se desenvolver, não deve priorizar a Amazônia.

A importância dada à floresta está diretamente associada à imagem que o Brasil ostenta sobre o tema ambiental, tanto internamente como mundo afora. Ana Toni, diretora do Instituto Clima & Sociedade, chama a atenção para a “identidade” que a população tem sobre o assunto e os riscos dessa imagem se perder.

“Os resultados mostram que, para 83% das pessoas, a Amazônia faz parte da identidade nacional. Por isso, ver a Amazônia queimar é o mesmo que queimar essa identidade da nação brasileira. Estamos falando de um simbolismo muito forte e as pessoas, mais do que nunca, despertaram para isso”, diz Toni.

Divisor

Os recordes sucessivos de queimadas e desmatamento ocorridos em toda a Amazônia e no Pantanal durante a gestão Bolsonaro, fatos que se somam à postura de fragilização das fiscalizações ambientais e dos órgãos responsáveis por essa missão, acabaram por acender um alerta em toda a população sobre a relevância do assunto.

A cientista política Magna Inácio avalia que, para além da preocupação internacional com os desdobramentos da devastação no Brasil, a população em geral e diversos setores econômicos têm sentido na pele o reflexo direto com a perda da vegetação.

“A agenda predatória do governo Bolsonaro na área ambiental certamente coloca uma linha divisória para quem quer se aproximar ou se distanciar dessa perspectiva. É um nicho político que, com certeza, deve ser explorado por quem quiser se diferenciar disso”, comenta Inácio. “Esse tema sempre foi colocado de maneira lateral, com exceção de campanhas como as de Marina Silva. O próprio PT não tem uma agenda ambiental tão forte. Mas o que vivemos hoje coloca pressão para que os campos de centro e esquerda da política se posicionem.” (Estadão Conteúdo)

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