Publicado 05 de Setembro de 2021 - 11h42

Por Estadão Conteúdo

O cenário vislumbrado para 2022 é ainda mais preocupante, acrescentam eles, principalmente diante da crise energética e da perspectiva de reajustes que impactam a conta de luz

Fernando Frazão/Agência Brasil

O cenário vislumbrado para 2022 é ainda mais preocupante, acrescentam eles, principalmente diante da crise energética e da perspectiva de reajustes que impactam a conta de luz

Essencial no dia a dia de famílias e empresas, um grupo de produtos do setor de energia está corroendo a recuperação da economia. Os preços da energia elétrica, da gasolina e doóleo diesel deram um salto no fim do ano passado e, desde então, não param de subir. Em julho, eles foram os principais responsáveis pela inflação, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os efeitos são disseminados e afetam, indiscriminadamente, toda população, segundo especialistas.

O cenário vislumbrado para 2022 é ainda mais preocupante, acrescentam eles, principalmente diante da crise energética e da perspectiva de reajustes que impactam a conta de luz. “O contágio da alta dos preços da energia elétrica e dos combustíveis é amplo na economia. É difícil de medir, porque muitas variáveis influenciam, como a concorrência e a pressão nos custos. Mas uma certeza nós temos: o impacto é muito maior do que o materializado no orçamento familiar e na inflação”, diz André Braz, coordenador adjunto do Índice de Preços ao Consumidor, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A energia elétrica é usada pela indústria e também pelas empresas prestadoras de serviço. A indústria automobilística, por exemplo, utiliza muita energia em seus robôs para montar os carros. “Se a energia fica mais cara, a indústria aumenta o seu custo e uma parte disso vai para o preço final. A mesma coisa acontece com o combustível”, afirma Braz. Ele lembra que o óleo diesel movimenta a frota dos caminhões que trazem os produtos para os centros urbanos. O combustível movimenta também os ônibus urbanos, que transportam as pessoas para o trabalho.

Entre todos os produtos do grupo de energia, a gasolina e diesel são hoje os grandes vilões dos preços, que subiram 39,65% e 36,35%, respectivamente, no período de 12 meses até julho deste ano, segundo o IPCA. Nesse período, os dois combustíveis se valorizaram mais que o filé mignon (33,56%), considerado um produto de luxo. Já a eletricidade aumentou 20,09%, maior alta desde setembro de 2018.

"A pressão dos preços desse grupo de produtos funciona como um imposto, porque afeta todo mundo. Por enquanto, há acesso a crédito. As pessoas estão pegando dinheiro emprestado para manter as contas em dia. Mas a inadimplência tende a crescer em 2022 e aí podemos perder bastante", diz Carlos Thadeu de Freitas, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Na indústria, a alta dos preços, especialmente da energia elétrica, pode comprometer os planos de recuperação após um período crítico em razão da pandemia de covid-19. O setor estava retomando os níveis de produção de 2013, quando foi pego pela crise hídrica e pela alta da tarifa de eletricidade.

A tarifa de energia está subindo por falta de chuva e da consequente queda dos reservatórios das hidrelétricas. Com isso, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é obrigado a acessar mais térmicas, que produzem uma energia mais cara. A maior parte dessas térmicas usa como insumo o gás natural e o óleo diesel, valorizados no mercado internacional. Isso significa que, na seca, o mercado brasileiro de energia acabou sendo contaminado pelo aumento dos preços das commodities de energia, que, até então, só afetava os consumidores de combustíveis automotivos.

“A principal preocupação é o aumento de custos, repassado para o preço dos produtos. Isso diminui a demanda. Por isso, pode afetar a retomada da economia e a recuperação da produção e do emprego industrial”, afirma Paulo Pedrosa, presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e Consumidores Livres.

No orçamento das famílias, além da eletricidade e dos combustíveis automotivos, tem pesado o preço do gás de cozinha, que, em algumas cidades, já custa mais de R$ 100. (EC)

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