Publicado 20 de Agosto de 2021 - 11h27

Por De Brasília

Ministro da Economia, Paulo Guedes, repete ameaças de sua equipe: ‘parcelamento de precatórios ou nada’

Isac Nóbrega/PR

Ministro da Economia, Paulo Guedes, repete ameaças de sua equipe: ‘parcelamento de precatórios ou nada’

Depois das críticas à proposta de parcelamento dos precatórios em 2022, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que, se a mudança não for aprovada, não haverá verba suficiente para fazer rodar a máquina pública e que faltarão até recursos para pagamento de salários dos servidores.

“Se precatório não passar, vamos mandar orçamento de R$ 90 bilhões para 2022 e vai faltar dinheiro para pagamentos até de salários. Se não descumprir uma lei, descumprimos outra”, disse ontem o ministro, durante audiência pública da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Salários do funcionalismo são despesas obrigatórias do governo federal, assim como os benefícios da Previdência. Antes de cortá-las, seria preciso antes tesourar outro tipo de gasto, chamado de discricionário, e que envolve gastos da máquina pública e investimentos.

Na semana passada, o governo enviou uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) com mudanças para o pagamento das despesas advindas de sentenças judiciais, que chegam a R$ 89 bilhões no ano que vem. Entre as medidas, está o parcelamento das dívidas acima de R$ 66 milhões em até dez anos.

Guedes fez coro às ameaças de sua equipe de “parcelamento ou nada”. Na quarta-feira, o secretário do Orçamento Federal, Ariosto Culau, disse que, se não for parcelado, o crescimento dos precatórios comprometerá praticamente todos os programas em 2022, incluindo a compra de vacinas para a aplicação da terceira dose contra a covid-19 e o pagamento de emendas parlamentares, caso o pagamento das dívidas judiciais não seja modificado. “Não posso quebrar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e nem a do teto (de gastos), então tenho que oferecer alternativas”, completou o ministro.

Guedes também falou que seria “um erro” não aprovar outro projeto enviado pelo governo e que encontra resistência no Parlamento: a reforma do Imposto de Renda. Nesta semana, a votação foi adiada na Câmara dos Deputados por falta de acordo, mesmo após muitas concessões que fizeram ala do próprio Ministério da Economia apontar que a reforma "já não se paga". “Mandamos o segundo capítulo da reforma tributária, se não for aprovada, não tem problema, paramos. Mas é um erro, um equívoco”, afirmou Guedes. (EC)

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