Grupo de moradores do Jardim Esplanada, em Piracicaba, ateou fogo em dois ônibus

Bombeiros trabalham para conter chamas de um dos ônibus que estava perto da avenida Raposo Tavares (Antonio Trivelin)
A morte de um acusado de roubo a estabelecimento comercial, durante confronto com a Polícia Militar, na noite de quarta-feira (4) à noite, provocou a revolta de um grupo de moradores do Jardim Esplanada que ateou fogo em dois ônibus do transporte coletivo. Os dois veículos estavam na rua Bogotá - um no cruzamento com rua Infante Dom Henrique e outro nas proximidades da avenida Raposo Tavares. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) levou duas pessoas para o Pronto-socorro. Elas passaram mal por inalar fumaça. Uma moradora, que presenciou um ônibus em chamas em frente a sua casa, disse que em 30 anos no bairro nunca viu algo parecido. "A gente via esses casos pela televisão. Mas, jamais imaginei presenciar um fato horrível desses", declarou. A mulher, que tem 52 anos, disse que estava na cozinha de sua casa - aos fundos - preparando o jantar, quando ouviu gritos. Como é grande a movimentação de pessoas que sobem e descem a rua o tempo todo, ignorou. "Continuei cozinhando e, de repente, ouvi um estouro. Fui até a janela e percebi que havia um clarão. Quando fui até a porta da sala, vi o ônibus em chamas, a menos de dois metros da garagem de casa, onde estavam guardados dois veículos", contou. Ela disse que chamou o marido, que ligou rapidamente a mangueira do jardim e começou a jogar água no ônibus. "A quentura era muito grande, porque as chamas eram altas", descreveu."Minha vizinha também pegou a mangueira e começou a jogar água. Os policiais chegaram e assumiram o controle da situação", disse. A mulher afirmou que, diante do desespero, começou a rezar. "Eu só pedia: Jesus, minha Nossa Senhora Aparecida, coloquem as mãos para apagar este fogo. Minha casa, minha família e meus carros correm risco", contou à Gazeta. Os bombeiros chegaram e, aos poucos, segundo ela, as chamas foram sendo combatidas. "Depois que tudo passou fui rezar e agradecer a Jesus e Nossa Senhora Aparecida por nos livrar de algo pior", afirmou a moradora. Um outro morador falou que está assustado depois de tudo o que viu e também não esperava que um bairro, que nunca teve conflito, tenha se tornado uma praça de guerra como nos filmes de ações policiais. "As chamas eram muito altas e a gente não sabia o que fazer. Espero que tenha sido a primeira e última vez", disse. Combate O tenente Alexandre Garcia, do Posto de Bombeiros, que seguiu para o bairro com apenas uma viatura de incêndio, já que a informação inicial era de que só um ônibus pegava fogo, ao chegar ao local teve de reposicionar homens do Resgate para outro caminhão. O ônibus que estava no final da rua, segundo ele, queimou inteiro. O outro, perto da avenida Raposo Tavares, teve almofadas, forro e a frente destruídos. Ele disse também que os bombeiros trabalharam com tranquilidade. "Os próprios moradores nos auxiliaram no combate às chamas. Todos muito solícitos", ressaltou. O veículo que estava no final da rua, segundo ele, teve grande vazamento de óleo diesel. "O perigo era o fogo propagar para outras casas, mas conseguimos controlar", disse. Um fio de energia elétrica rompeu e caiu no chão, causando curto-circuito. Uma casa ficou sem energia, mas o restante foi restabelecido rapidamente. O roubo Segundo a polícia, o rapaz assaltou um estabelecimento e fugiu. Na rua Bogotá, cruzamento com Travessa Esplanada, houve confronto e ele foi atingido por três tiros. O socorro foi acionado, mas ele morreu antes de ser resgatado. O caso do incêndio deverá ser acompanhado pelo delegado João Batista Vieira de Camargo, do 3° DP. A ocorrência da morte do acusado foi feita no plantão policial da rua do Vergueiro.